domingo, 19 de fevereiro de 2006

Qual o valor da Vida?



Tudo começou na sexta com o DVD que a revista Visão fez o favor de nos impingir (e muito bem!), A Marcha dos Pinguins. Um filme de uma pureza cálida que retrata a longa jornada milenar destes pequenos pinguins, guiados unicamente pelo instinto, num mundo que tem tanto de inóspito quanto de belo. Ontem fui ver o Munique. Um bom filme, com uma realização de excelência, nem outra coisa seria de esperar do Sr. Steven Spielberg. Com imagens brutais carregadas de simbolismo, e com uma textura que nos transporta para a realidade. No final senti-me... sem esperança. Violência gera violência, penso que já ninguém tem dúvidas disso, e todos perdem a razão. Mas não, desta vez não é só um filme! É o hoje, e é o agora.
O que é que os pinguins têm a ver com os problemas no médio oriente? À primeira vista absurdamente nada de nada. E efectivamente não têm nada, mas é o que me tem vagueado pelo pensamento este fim-de-semana. Não quero falar dos óbvios cartoons, estou farta de falar e divagar sobre eles noutros ambientes, mas quero falar sobre nós. Sobre nós enquanto seres humanos. Sinceramente, hoje não sei qual o significado de humanidade... qual é hoje o valor da vida humana... Teremos nós perdido todo o respeito pelo outro? A verdade é que enquanto via o documentário, o que pensei foi: "estes bichos têm mais de humano que a maior parte dos Homens". Eles sabem o preço que têm de pagar por viver, por gerar uma vida e por mantê-la viva. Quando é que nós perdemos isso? Talvez me esteja a enganar, talvez nunca o tinhamos sabido, afinal a guerra pertence à condição humana. E o que é isso de condição humana? Hoje sinto-me um pouco descrente em nós... somos capazes do melhor e do pior... e hoje isso assusta-me... porque já não sei o que significa melhor... Enfim, é o que sinto hoje, talvez amanhã passe!

Ella

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