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sábado, 8 de novembro de 2014

Mamã, Papá e outros monossílabos e dissílabos

Apesar dos reconhecíveis mamã, papá, dá, já tá, olá, não, 99% das conversas do meu filho são em mangeriquês. Isto é, para quem se lembra, a língua do Mangerico da célebre série da minha/nossa juventude... Os amigos de Gaspar. "Ah poio soio toio gaspaio!" Pois... É isso chérie!

Para relembrar...



quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Toddler

def. to walk unsteadily.

photo by louis!


E eis que cansado de percorrer a casa a quatro patas... Aos 13 meses, o kirikou perdeu o medo e confiante deu os primeiros passos. No espaço de uma semana passou de pequenos trajectos para corridas incessantes. Rejeitando por vezes a ajuda, como quem diz: mamã eu sou capaz! E lá vai ele à vida dele. Com muitos tombos e algumas cabeçadas, mas sem perder a confiança. Sempre com este ar de pequeno zombie. Braços esticados, prontos para amparar a queda. E os pais babados por verem as pequenas conquistas como quem vê o primeiro homem a pisar a lua. Um pequeno passo para a humanidade, um grande passo para nós!


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Para começar a semana...

Deixo-vos a música preferida do kirikou,
mas atenção que correm o risco de ficar com isto a tocar em loop durante o resto do dia!

Le lion est mort ce soir,
Pow Wow


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Paternidade





Apesar de a educação dos filhos ser uma responsabilidade partilhada. Um projecto a dois. A chegada de um filho é vivida de modo diferente entre mães e pais. Pergunto-me muitas vezes como será viver a experiência do outro lado. Como será ser Pai? Não acredito que ame com mais ou menos intensidade por ser mãe, mas acredito que apesar do amor ser o mesmo a experiência é diferente. Hoje, por mais próxima que seja a relação com o pai, eu sou o elo de ligação entre o meu filho e o mundo. Um dia mudará e possivelmente (ou certamente) eu serei a chata mas hoje não é assim... O pai é aquele que reconhecemos e para quem temos sempre um sorriso mas queremos a mamã. E penso que se fosse eu nesse papel sentia-me triste. Talvez. Não sei. Diz-se que é normal. É a natureza. Talvez por isso eles queiram as mamãs. Talvez saibam que os papás estão feitos para a aguentar isso. Não sei.


Encontrei este blog há uns tempos e achei interessante... The reluctant father.
A perspectiva de um Pai. Adoro esta mensagem que ele deixa à filha...


Remember. Before your father was a parent, he was a person.
Young, and confused, just like you.


domingo, 12 de janeiro de 2014

Para aprender a cair nunca é cedo demais



Quando vi este video imediatamente lembrei-me da minha mãe. Não que seja grande desportista mas porque esta semana quando chego ao quarto dou com ela a atirar o meu pequeno kirikou de 4 meses (novo epíteto do mini-moi) para cima da cama. Estou a ensina-lo a cair, diz-me tranquilamente. E ele ri-se. O que é certo é que após duas ou três vezes o miúdo já coloca os braços sozinho. E a avó baba.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Nunca se dorme demais

E dicas para fazer dormir criancinhas também nunca são demais...
Por mais estranhas que pareçam, se resultam só podem ser boas.



Aqui por casa tem resultado a doudou na cabeça, deitar de lado com umas palmadinhas no rabo, festinhas na cabeça e apesar de o secador funcionar nunca precisamos de o usar pois temos o substituto perfeito... O ressonar do nosso cão. Se duvidam é porque não o conhecem!
Telemóvel e micro-ondas desconhecia.


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

2 meses

by ella

Ser mãe é uma experiência intensa. Escrever uma tese de doutoramento é uma experiência intensa. Fazer as duas coisas ao mesmo tempo é uma experiência extrema, um exercício de resistência. De dia mamã. De noite aluna de doutoramento. Pelo meio esposa. Doméstica. Tentar separar as coisas e ao mesmo tempo conciliar. Lidar com a frustração. Pensar em como gostaria de poder desfrutar deste momento de maternidade sem esta nuvem cinzenta a pairar sobre a minha cabeça. Sobreviver ao sono. E quando por fim me deito, espreito e vejo-o a dormir... Tranquilamente. Exausta, fecho os olhos e recupero forças.

PS. Quando terminar, penso que o desemprego não vai ser um problema. Vou mudar-me para Hollywood e fazer um casting para o elenco do The Walking Dead.

sábado, 26 de outubro de 2013

O ritual do cinema

Com esta história de responder positivamente ao apelo do relógio biológico surgem alguns danos colaterais esperados mas cuja verdadeira dimensão só é apreendida quando se vivem os factos. E o facto é....não vamos ao cinema há precisamente 72 dias, 4 horas e 33 minutos!!! (bom talvez esteja a exagerar na precisão, mas foi mesmo há 72 dias!). E nestes momentos pensamos: será que vale mesmo a pena ir ao cinema? Temos aqui um sofá tão bom e um écran com sistema de som impecável (graças a mim, claro, mas que agora pia baixinho por causa do rebento...), temos quase todos os filmes que queremos ver, temos as pipocas à distância de um micro-ondas e não precisamos de lutar contra o sono quando queremos adormecer. Sim sim sim, é tudo muito bom MAS....não é cinema caramba! Penso que todo o charme do dito "ritual" consiste no conceito de "ir", de sair de propósito para ver um filme. Combinarmos com os amigos, encontrarmo-nos para vermos em conjunto um filme para depois discutirmos amigavelmente ou furiosamente a prestação dos actores e do realizador. Para uns dizerem que superou as expectativas, para outros dizerem que não sabem como os convenceram a ir ver aquela treta de filme. Para rir em conjunto, gozar com quem chorou e comentar que o Hulk nunca esteve melhor do que na pele do Mark Ruffalo. Enfim, penso que ainda existem argumentos para justificar sair do sofá e ir gastar dinheiro para entrar numa sala obscura cheia de gente que come pipocas de boca aberta (vá esta última parte era dispensável)!


VS


Vá Ella, o rebento está farto de crescer, acho que está na altura de deixar o dito em casa das avós sedentas de miminhos e ir rapidamente matar saudades do nosso ritual!

Ps:  Por acaso o Thor novo estreia já na próxima semana, só "naquela"............

Louis

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Sophie chegou à família



La petite Sophie la Girafe acabou de chegar a nossa casa para delírio do mini-moi que já tenta imitar-lhe os guinchinhos, e dos cães que estão indecisos entre cobri-la de lambidelas ou dar-lhe cabo do pescoço. Vamos ver como se irá safar nesta pequena selva.
A pequena Sophie é famosa, tem 52 aninhos e uma história engraçada.


terça-feira, 15 de outubro de 2013

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Rebecca Minkoff, The Glow


Estou sentada e sobre o meu peito repousa um ser inocente e indefeso. Na televisão desfilam histórias de um mundo sujo, podre, perverso, frio e injusto. Um mundo tão longe do meu. Um mundo tão perto do meu. Sinto a respiração deste pequeno ser... Calma e tranquila. "Basta um pequeno erro e temos que pagar por ele a nossa vida toda!", diz a mulher sentada na poltrona. A fumar um cigarro e os olhos vazios. Passou pelo inferno na terra e ainda acha que a culpa é sua. A mente é perversa. Histórias de arrepiar. Escorrem-me lágrimas pela cara. Este mundo é nojento. Penso nos que acreditam em Deus. Mas que Deus poderia fazer alguém perder-se nesses tortuosos labirintos? Abraço-o. Aquelas palavras não me saiem da cabeça. Abraço-o. Se ao menos te pudesse proteger para sempre. Abraço-o. Sinto a respiração deste pequeno ser... Calma e tranquila. Se ao menos o mundo fosse assim...



PS. O que vi ontem foi o documentário The Price of Sex. Ninguém desconhece esta realidade mas vale a pena ver. Isto não é prostituição, é escravidão. Num momento em que muitos de nós emigram, nunca é de mais alertar para a barbárie deste mundo que engole tudo e todos. O cuidado nunca é pouco. Estas mulheres queriam uma vida melhor, um trabalho honesto. A vida trouxe-lhes o inferno.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Manual de Sobrevivência

Apesar de pequeninas, as criancinhas ocupam muito espaço e requerem muitos tarecos e acessórios. Aos poucos vão tomando conta da casa e com o tempo tem tendência a piorar.  Das coisas que têm sido essenciais para nós no dia-a-dia com o mini-moi (à parte das triviais) são o wrap e a almofada de caroços de cereja.



O wrap é fantástico, é simplesmente um descanso. Mini-moi com dificuldade em adormecer, mini-moi com cólicas. Wrap com ele... 3,2,1... Puff já está caladinho e a dormir. Mini-moi sem sono e mamã com 1001 coisas para fazer. Wrap com ele... Mini-moi de olhos bem abertos a absorver aos poucos todo o meu mundo. Enquanto é uma novidade andar por este mundo estranho esta é, sem dúvida, a melhor solução para passear. Acreditem. Testado e comprovado numa missão relâmpago ao ikea. Prova superada. Nada de contornar pessoas com o carrinho e o mini-moi esteve tranquilamente a dormir. O que não falta são marcas e modelos para todos os gostos, e se tiverem jeitinho podem sempre fazer um.




Já muito antes do mini-moi nascer que éramos fans dos sacos térmicos feitos com caroços de cereja ou azeitona. Aliás já aqui tinha deixado a dica para os Ricoxete que têm uma bela história e são feitos em Portugal. Quando os dias são mais frios sabe bem ter os pézinhos quentinhos. E quando as dores nas costas apertam o calor alivia. Na subida do leite fomos grandes amigos. Colocava no peito antes de dar de mamar, massajava e só depois estava pronta para enfrentar o pequeno esfomeado. Agora usamos para aquecer a cama e aliviar/acalmar as cólicas do mini-moi.

Alguma dica extra?

terça-feira, 1 de outubro de 2013

It Takes a Village to Raise a Child


Mini pianistas,
foto tirada pelo B. com a Canon'zinha do Louis.


Tal como uma relação não se resume a duas pessoas, educar um filho não se resume aos pais. Ter uma família com quem podemos contar, rodear-nos de pessoas que querem o nosso bem e cuidam de nós é um bem maior de incomensurável valor a preservar. Temos a sorte de viver rodeados de um família assim. Não só aquela que nos calhou pela força do sangue, mas também aquela que escolhemos, os amigos. Agradecemos a todos o carinho que nos têm dado. Do mais profundo do nosso coração. 


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Pequeno explorador



O mini-moi fez ontem um mês. O meu pequeno explorador gosta de ficar a olhar o mundo de olhos muito abertos como se quisesse engoli-lo de uma só vez. Luzes, cores, vozes, sons, música, rostos, movimento. Tento imaginar o que ele sente. Para quem viveu 9 meses no escuro, apertado, sem fome, sem frio, sem calor e em permanentemente contacto com a sua mamã, o mundo é GIGANTE. Infinito. Daí que seja tão difícil, por vezes, adormecer. Desligar. Como nós na véspera de uma viagem ou de um acontecimento pelo qual ansiamos há muito tempo. Eu sou assim.
O meu filho faz-me lembrar a história do filme A Lenda de 1900. 1900 nasceu, cresceu e viveu num grande barco, sem nunca ser capaz de viver em terra. Para ele, o mundo era grande demais. Oferecia infinitas possibilidades. Um sem fim de oportunidades. Era demais para ele. Também para o meu filho, o mundo apesar de fascinante, é ainda grande demais. É tanta a informação que tem de processar que tem de desligar e fazer reboot. Para isso serve uma mamã. 3, 2, 1... Pufff... Adormeceu. Para o trazer de volta ao aconchego do seu pequenino mundo.



"Take a piano. The keys begin, the keys end. You know there are 88 of them and no-one can tell you differently. They are not infinite, you are infinite. And on those 88 keys the music that you can make is infinite. I like that. That I can live by. But you get me up on that gangway and roll out a keyboard with millions of keys, and that's the truth, there's no end to them, that keyboard is infinite. But if that keyboard is infinite there's no music you can play. You're sitting on the wrong bench. That's God's piano. Christ, did you see the streets? There were thousands of them! How do you choose just one? One woman, one house, one piece of land to call your own, one landscape to look at, one way to die. All that world weighing down on you without you knowing where it ends. Aren't you scared of just breaking apart just thinking about it, the enormity of living in it? I was born on this ship. The world passed me by, but two thousand people at a time. And there were wishes here, but never more than could fit on a ship, between prow and stern. You played out your happiness on a piano that was not infinite. I learned to live that way. Land is a ship too big for me. It's a woman too beautiful. It's a voyage too long. Perfume too strong. It's music I don't know how to make. I can't get off this ship."
Giuseppe Tornatore


P.S. Ou um papá e uma chucha!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Diga 33

Parabéns Louis!

iphotografia dos pézinhos do mini-moi!

Há alguns anos fizemos uma entrevista para um estudo de uma tese de Psicologia sobre casais e o evoluir das relações com o tempo e a idade. A primeira pergunta era qualquer coisa como descrever a nossa relação numa imagem. Eu que falo pelos cotovelos fiquei calada. Não me conseguia lembrar de nada. Nada me vinha à cabeça. Nada. Posso começar eu?, dizias tu. Tu que ficas sempre calado nestas coisas. "A primeira imagem que me vem à cabeça é um cruzeiro, um barco, uma viagem de barco. Onde vamos navegando de porto em porto, umas vezes com céu azul outras sob tempestade, descobrindo novos lugares, pessoas, coisas. A nossa relação é uma viagem." Tens toda a razão Louis. O nosso amor é uma viagem. Obrigada por teres embarcado comigo nesta aventura. É estranho pensar que ainda há um mês eramos dois. Num mês a nossa vida mudou. É difícil imaginar a nossa vida sem o nosso mini-moi. 

(Correndo o risco de isto ser a coisa mais pirosa que já aqui escrevi!)

terça-feira, 24 de setembro de 2013

A fome e a vontade de comer



E ele não estará com fome?
Hum... Eu cá para mim ele tem é fome!

São as frases mais repetidas sempre que o mini-moi coloca as suas mãozinhas na boca. Não sou mãe há muito tempo mas já percebi que se há coisa que aflige as pessoas é os bébés passarem fome. Não é que eu seja insensível a este problema mundial... Pelo contrário, era flagelo que gostaria de ver erradicado do mundo. Agora quer me parecer que o meu filho está longe de se enquadrar nesta categoria. Quando a minha criança leva as mãozinhas à boca em 95% das vezes não tem fome, tem sim vontade de sentir o consolo e o mimo que sente quando mama. Estamos entendidos? Não me parece porque...

Se calhar o leite não é bom!
Como é que sabes quanto é que ele bebe?!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Vivendo e aprendendo


Na foto Audrey Hepburn.


Passaram duas semanas de aprendizagem constante. Dizem que o papel dos pais é ensinar mas, na realidade, até agora tem sido aprender, aprender, aprender. Parece tudo tão simples, mas as variáveis são tantas. Entre as famosas dores tortas que atacaram logo após o parto e me fizeram implorar por mais epidural. Um bébé dorminhoco, impossível de acordar e umas enfermeiras rigorosas com a hora da comida. A famosa subida do leite que começou no dia em que saímos da maternidade e que, ao contrário do mini-moi, me fez passar uma noite em claro. O pós-parto. O cansaço. As cólicas. Os avós. As saídas de casa impossíveis de planear. E todo um mundo de outras pequenas coisas. Enfim... Têm sido duas semanas a aprender a conhecer o nosso mini-moi e a aprender a ler os seus sinais. Ser Pai aprende-se. Na maioria das vezes por tentativa e erro. Outras por instinto. E em caso de dúvida com o coração. Algo me diz que será sempre assim.


domingo, 8 de setembro de 2013

Uma semana depois...

Foto do Louis.


Estou aqui sentada no sofá a ver o meu filho dormir. Num instante passou uma semana. O meu filho tem uma semana. O meu filho. Ninguém nos prepara para esta avalanche de sentimentos. Ainda é difícil acreditar que tudo passou. Que está aqui, connosco.
E enquanto as hormonas do "esquecimento" não começaram a actuar vamos ver se ainda consigo colocar a história de pé...
Tudo começou com uma mãe incrédula de que estaria efectivamente em trabalho de parto, um pai em negação, e um dia de contracções irregulares que se foram regularizando aos poucos. Quando finalmente o pai se convenceu, pelo sim pelo não, metemo-nos no carro rumo a Lisboa enquanto ouvíamos na rádio o concerto do Carlos do Carmo no Festival do Crato. Ao chegarmos, como as contracções já estavam de 5 em 5 minutos e cada vez mais intensas, decidimos fazer uma visita à Maternidade para tirar as dúvidas. Com a descontracção e a calma de quem achava que a iam mandar para casa enganei a enfermeira da triagem, mas o CTG e os 3 cm dilatação não deixavam dúvidas... O mini-moi ia nascer. Depois da bendita epidural foi esperar que a dilatação chegasse lá. A noite foi passando e ao nascer do dia, assim do nada, tinha as médicas a dizer-me para fazer força. Nós incrédulos. Mas é agora? Rapidamente perceberam que iam precisar de ajuda para fazer nascer este pacotinho de 3,780g.  Em pouco tempo e uma ventosa depois, o mini-moi estava cá fora. O meu grande peixinho nasceu ainda dentro do seu aquário. Tudo assim... Muito, muito, muito intenso. Num instante. Não senti dor, mas senti tudo. E sentir tudo, chega a doer. Tenho hoje um respeito enorme pela minha mãe e por todas as mães que passaram por isto sem epidural. Como é que é possível? E como é que é possível a nossa cabeça não explodir com um aneurisma? Mistério. Enfim... Segundo as médicas para primeiro filho todo o processo não poderia ter corrido melhor, eu continuo a achar que a nossa evolução tem de continuar... Isto não pode ser a melhor solução.
Ao contrário do que tinha pensado não chorei quando o vi pela primeira vez quando o colocaram em cima da minha barriga. Chorei momentos mais tarde quando o vi vir ter comigo ao colo do Pai e ficamos, por fim, os três.


Estrela da tarde
de José Carlos Ary dos Santos

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.



Carlos do Carmo & Bernardo Sasseti

quarta-feira, 4 de setembro de 2013