quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Do amor

"Bjork and sun, Iceland", photo by Juergen Teller (1993).

Quando esperamos o nascimento de um filho é comum perguntarem-nos se estamos preparados. Preparados para a responsabilidade de educar uma criança. Preparados para as noites sem dormir, as cólicas, as birras. A falta de tempo. O fim daquela vida de apetece-me/quero/posso. Nunca ninguém me perguntou se estava preparada para deixar de ser a pessoa mais importante na minha vida. Nunca. Ninguém. Hoje percebo que esse sim, foi o maior passo que dei naturalmente e involuntariamente no dia em que fui mãe. Talvez seja essa a derradeira prova do amor oblativo. 


quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Toddler

def. to walk unsteadily.

photo by louis!


E eis que cansado de percorrer a casa a quatro patas... Aos 13 meses, o kirikou perdeu o medo e confiante deu os primeiros passos. No espaço de uma semana passou de pequenos trajectos para corridas incessantes. Rejeitando por vezes a ajuda, como quem diz: mamã eu sou capaz! E lá vai ele à vida dele. Com muitos tombos e algumas cabeçadas, mas sem perder a confiança. Sempre com este ar de pequeno zombie. Braços esticados, prontos para amparar a queda. E os pais babados por verem as pequenas conquistas como quem vê o primeiro homem a pisar a lua. Um pequeno passo para a humanidade, um grande passo para nós!


sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Livros que a mamã leu


O título deste post também poderia ser... O que consegui ler nos últimos três meses. E acreditem... Isto é muito positivo. Depois de muito tempo sem ler romances, estas minhas duas últimas leituras voltaram a reacender a chama da minha paixão pela leitura. O que não era difícil. Li também A Grande Arte (Ruben Fonseca) e a Madrugada Suja (Miguel Sousa Tavares) que nem vou perder tempo a escrever sobre eles porque souberam a pouco e confesso tive que resistir à tentação de desistir. Bem sei, bem sei que dizem que são bons livros. Mas a realidade é esta...Sou hoje uma leitora pouco paciente, não tenho disposição nem tempo para perder a ler coisas que não me apaixonam. Mesmo aqueles livros referenciados como maravilhas, se não aquecem nem arrefecem, ou se andamos muito tempo à espera daquele momento em que "agora é que isto vai ser interessante"... Esquece! Acho que neste momento é um pouco a minha atitude na vida.  Aqui ficam duas excelentes sugestões, enjoy!

Teoria Geral do Esquecimento,
de José Eduardo Agualusa

É um romance apaixonante da primeira à última página e foi direitinho para o topo da lista dos melhores romances de sempre. Adorei! Não sei se pela originalidade se por me ter feito reencontrar uma vez mais enquanto leitora. Não querendo deixar spoilers no ar, aqui fica a premissa... Sob o calor de Angola uma mulher esquecida durante 30 anos num apartamento vê pela janela de sua casa cozinhar-se a independência de um País. 


Enquanto Lisboa Arde, O Rio de Janeiro Pega Fogo,
de Hugo Gonçalves

Este livro foi-me oferecido pela minha irmãzinha após a sua temporada no Rio de Janeiro. Ela gostou tanto do livro que com o seu à vontade e descontracção acabou por contactar o escritor para o entrevistar. Um livro actual e tão leve como a brisa de uma tarde de verão. Uma história carnavalesca sobre alguém que foge de um país que se arruina de dia para dia para começar do zero uma vida nova, uma página em branco num país em ebulição. Se por vezes a história fica aquém das espectativas, a narrativa supera-as.

sábado, 4 de Outubro de 2014

Ode aos transportes públicos e seus frequentadores habituais

by me!

Coisas que as pessoas fazem em público e que só deveriam fazer em privado...

Arranjar as unhas no comboio e ver pedacinhos de unha saltar para o banco da frente.
Besuntar o corpo dos filhos com protector solar no metro a caminho da escola.
Descascar uma maçã com um canivete suíço em plena hora de ponta do metro.
Fazer a limpeza profunda da fossas navais e posterior deglutição... O clássico!

As pessoas nunca nos param de surpreender!
Estes são apenas alguns exemplos da memorabilia que tenho recolhido.
Intimidade, alguém ainda sabe o que é isso?

quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

La Crêperie da Ribeira



Depois das férias, os primeiros fins-de-semana por Lisboa têm sido de novas rotinas, uma nova casa com ainda muito por arrumar e o desfrutar de novos espaços da nossa cidade. Num sábado cheio de sol e depois de uma ida à piscina com o Kirikou fomos em boa companhia experimentar a La Crêperie da Ribeira. Um óptimo sítio para matar as muitas saudades dos crêpes bretões. Para começar optamos por testar o clássico de queijo, fiambre e ovo, e para terminar caramel au beurre salé... Tudo delicioso! Existem muitas outras opções por onde escolher e todas muito em conta. Segundo a BB* os croissant são igualmente deliciosos mas infelizmente não ouve estômago para mais. Fica para uma próxima vez, pois iremos certamente lá voltar!















La Crêperie da Ribeira,
Rua da Moeda nº1


quinta-feira, 25 de Setembro de 2014

Vhils no Museu da Electricidade


Domingo passado fomos dar um passeio pela exposição do Vihls no Museu da Electricidade. Apesar de não ser muito grande, nós gostámos bastante. Está bem construída, o espaço escolhido e a organização do mesmo é excelente. E é muito interessante ver o conceito que já tanto nos habituámos a ver pela rua aplicado a outros materiais e outras técnicas. Eu trazia umas quantas peças para alegrar as paredes aqui de casa. Aproveitem a oportunidade que a exposição está prestes a terminar, vale a pena e ao contrário da maior parte das coisas na vida... É grátis!

Como é de esperar apesar das muitas máquinas fotográficas ao sairmos de casa percebemos que tudo estava sem bateria... Great! Ficaram as do iphone'zinho para contar a história!














sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

Crying mummy



Basicamente é isso. Sou uma crying mummy. Desde que fui mãe sou uma choramingas. Ou quase. É no comboio ou no metro enquanto leio um livro. É com os telejornais, filmes e séries. E até mesmo, no  outro dia, enquanto assistia a uma conferência de um prémio Nobel. Enfim.. Quando dou por mim estou a fechar as mãos com força e a olhar para o tecto para disfarçar. O que é que se passa comigo? O que é que se passa com as minhas hormonas? Passou um ano, podemos voltar ao normal?! Sim?! Outras mães que me ouçam, digam-me... Isto vai passar?


segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Confissões de uma chocoholic

Hoje recebi a seguinte mensagem do Continente:

"A PENSAR EM SI: 25% desconto em Drops, Gomas e Chocolates"

A pensar em mim???
Não!
Se estivessem a pensar em mim ofereciam 25% de desconto em fruta, vegetais e naquelas bolachas que sabem a papel! Isso sim era a pensar em mim!
Meus caros não se oferece droga a um drogado...
Está mal!



Chocolatando,
Clã

quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

We will always have Paris



Estou ansiosa por voltar à nossa cidade.
Estou ansiosa por percorrer a três todos os sítios onde fomos felizes e descobrir muitos outros!
Tenho saudades Paris!


segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

1 ano

Foto by Louis

Passou um ano. E ainda não parece real. Sou mãe. Passou um ano desde a mais longa das noites que me aconteceu. Fui mãe. E ainda não sei como aconteceu. Revivo ao segundo essa noite. Cada pormenor, cada detalhe. Passou um ano. Não me esqueci de nada. E o que esqueci não aconteceu. Passou um ano. Fazia tudo outra vez. Não sou a melhor mãe do mundo. Sou a melhor mãe que o meu filho poderia ter. Em aprendizagem contínua. Há um ano que aprendo a viver com parte do coração fora de mim. Feliz por ter um coração que me sorri a cada reencontro. Ser mãe não me define mas é a melhor parte de mim.

quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

by me!


Muito se fala da depressão pós-parto... Nunca me senti deprimida mas sim, por vezes, frustrada. Frustrada por não conseguir dar a atenção que devia a isto ou aquilo. Por falta de tempo, por falta de concentração ou simplesmente por falta de disposição. Queremos fazer tudo, ou queremos fazer as coisas como antes. Antes de sermos mães. Ou pais. E vão ficando coisas pelo caminho. Queremos ser mães, pais, irmãos, filhos, netos, amigos, padrinhos. Queremos trabalhar, viajar, ler, correr, escrever, dormir... Queremos tudo. Podemos tudo. Mas em doses comedidas, com muita ginástica, algum sacrifício e força de vontade. Aprendendo a viver a vida noutro ritmo e aos poucos encontrando um novo equilíbrio.


sexta-feira, 27 de Junho de 2014

Uma maçã por dia, nem sabe o bem que lhe fazia!

@ella


Desde que comecei a trabalhar as refeições são feitas a correr ou tardiamente. Na pressa de sair do trabalho para ir buscar "o meu bem mais precioso" esqueço-me de lanchar. E como ainda estamos em fase de optimização da rotina de fim de dia, quando damos por isso já são dez da noite e ainda não jantamos.  Não é fácil manter uma alimentação saudável quando nos falta o tempo e a paciência. Para tentar limitar o meu apetite voraz por bolachas, bolachinha, biscoitos e bolos descobri este snak alternativo... Fruut... Fruta desidratada! É bom, é saudável e muito importante não pesa na mala! Já tinha experimentado outras marcas igualmente boas mas todas elas carregadas de açúcar. Ao contrário de Fruut que é sem aditivos, 100% fruta, 100% maçã! Aprovadíssimo!


sábado, 21 de Junho de 2014

1, 2, 3, 4... Recomeçar aos poucos

Os dias são demasiado pequenos. Pequenos para todas as coisas que queremos fazer, todas as coisas que gostamos de fazer, todas as coisas que temos de fazer. Ainda estamos a tentar entrar nas novas rotinas. O cansaço instala-se. Muitas recordações para mais tarde recordar mas pouco tempo para as registar. Espero recomeçar de novo, aos poucos, aos velhos rituais. Este é um deles.



Sesame Street: Feist sings 1, 2, 3, 4


terça-feira, 20 de Maio de 2014

Primeiros dias de escola


by me!


E assim foi... Numa semana mudámos de vida. Ou quase. Mudámos as rotinas. Kirikou foi para a escola. A mamã foi trabalhar. Mudámos de casa. Num instante te habituaste às novas pessoas, aos novos sítios e aos novos hábitos. Pelo menos assim me dizem para descansar este coração de mãe. No primeiro dia ficaste a chorar tal como era esperado. E eu que ingénua achava que seria um dia como os outros tive que entreter o tempo para não contar as horas, os minutos e os segundos para te ir buscar. Foi duro. Fazes-me falta. Já lá vão quinze dias e a trabalhar o tempo voa. Espero ensinar-te isso... A gostares do que fazes, ou a fazeres o que gostas. Mas quando chega a hora de te ir buscar já nada interessa. Quero é despachar-me para poder voltar àquele sorriso. Àquele regresso a casa.

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O que me pesa no peito como uma âncora é a realidade desta vida de trabalho-casa, casa-trabalho e deste sistema que não nos permite ter mais tempo para educar e sermos pais. Durante a semana somos pouco mais que pais funcionais. É o despe-veste, dá banho, jantar, lavar os dentes e cama. Das conversas com outros pais todos partilhamos a mesma culpa de não podermos ter um horário mais flexível ou inclusive um dia por semana a menos no trabalho. Como dizia um amigo: “Acho que morro de desgosto se um dia chego ao infantário e me dizem que começou a andar. Já imaginaste? Começou a andar e tu não estavas lá!” 


quarta-feira, 7 de Maio de 2014

Mercado de Campo de Ourique






Eis o sítio que anda na boca de toda a gente. Depois de muito ouvir falar e de lá ter ido jantar com as amigas foi a vez de levar o chérie. O mercado é um sítio descontraído para ir tomar um copo e petiscar depois do trabalho com os amigos, ou simplesmente para almoçar antes de um passeio no jardim da Estrela. Apesar dos que o comparam com o Mercado de San Miguel em Madrid ficarem decepcionados, eu gosto dele assim mais pequenino e familiar. Tudo o que provámos era bom, apetitoso e com um toque gourmet. Sem dúvida um sítio a revisitar... Até porque muitas bancas ficaram por provar.












Para abrir o apetite...



A carne maturada bem tenra do Atalho.



E para acabar nada como partilhar uma tarte de brigadeiro e um gelado.

quinta-feira, 1 de Maio de 2014

8 meses



Num abrir e fechar de olhos passaram 8 meses. Num abrir e fechar de olhos rebolas do tapete até à cama dos cães. Agarras-lhes as bochechas. Trepas por cima de mim. Ficas em pé. Fazes festinhas. Comes a sopa, a fruta, e refilas porque querias mais fruta. Fazes poças de baba. Agarras tudo o que podes. Palras. Dás gritinhos. E ris. Ris muito. Como se quisesses mostrar que tens seis dentinhos. Há oito meses que não consigo imaginar a minha vida antes de ti. Ou a minha vida sem ti. Pedaço de mim.


terça-feira, 29 de Abril de 2014

A saborear...




Desde que o kirikou nasceu que não tem sido fácil manter acesso o fogo da minha paixão pela leitura.  Inicialmente tinha a cabeça demasiado ocupada com a tese e depois, o facto de ainda não termos conseguido mudar de casa e termos aquele penetra fofo ainda a dormir no nosso quarto não nos permite fazer uma das coisas que mais gostamos de fazer... Estarmos deitados lado-a-lado a ler. Tenho saudades desses momentos de silenciosa cumplicidade. Mas a mudança está para breve e com a chegada da Primavera já cheira a feira do livro.
Entretanto tenho me deliciado a ler mais uma bd... Relish, My Life in the Kitchen de Lucy Knisley. Lucy cresceu entre tachos e panelas, chefes e críticos, este é o retrato da influência que os sabores e aromas da nossa vida têm no modo como nos relacionamos com os outros e com nós próprios. Mas mais que um relato autobiográfico é uma homenagem aos pais. A true relish!

Mais bd's aqui, aqui e aqui.

domingo, 27 de Abril de 2014

Música para começar a semana

Esta é uma semana de grandes decisões e antecipações.
Deixo-vos uma das mais recentes músicas de Damon Albarn cujo álbum é lançado hoje.
Eu já estou rendida...


Heavy Seas of Love,
by Damon Albarn

Boyhood



Depois de uma das mais adoradas trilogias de todo o sempre eis que Richard Linklater nos decide surpreender com mais um filme original... A história de um rapaz durante 12 anos. E onde é que está a originalidade? O filme foi gravado pacientemente durante 12 anos sempre com o mesmo elenco. Vi o trailer, vi as crticas e fiquei curiosa. Resta esperar pela estreia...





Boyhood " it’s definitely one of the most interesting things I have ever been a part of, no doubt...About 20 minutes, your eyes just start tearing up and you don’t even know why. It’s about the nature of time and how it’s crashing into us all."
Ethan Hawke