sexta-feira, 2 de março de 2007

Adeus Bento...

Para a maioria dos que me lêem é difícil compreender a paixão que tenho pelo futebol. Mas quem nasceu numa casa em que a televisão ficava na sala num volume suficientemente alto para se ouvirem na cozinha as notícias do Benfica e correr para saber as ultimas do clube da Luz ou acompanhou o pai desde tenra idade junto às linhas laterais nessas arenas modernas que são os campos da bola não podia ser de outra maneira.

Sempre tive um grande carinho e admiração pela posição de guarda-redes. Aquela solidão da área, a relação amor-ódio com os adeptos, umas vezes herói outras vilão. O desepero de um frango depois da defesa de uma vida. Aprendi a admirar esses homens e a sua coragem em lançar-se aos pés dos outros para apanhar uma bola de Cautchú como se da sua vida se tratasse. Yashin, Schmeichel, Preud'Homme, Silvino, Taffarel, Ravelli, Zoff, Buffon, Chilavert, Higuita, Van der Sar, Pagliuca, Lama, Neno, Moreira, Zubizarreta, Casillas, Damas, Baía, Jorge Campos, Ricardo ou Grobelaar, são alguns dos homens que já fui por esses campos nos jogos com a malta nas passagens a rodar pela baliza e senti a angústia deles antes de um remate e a sensação de invencibilidade por uma defesa.



Ontem morreu um dos meus heróis, O Bento, o Bento do Benfica, da Selecção... Lembro-me vagamente de o ver a jogar, graças à maldita lesão do México, mas uma das minhas primeiras recordações futebolísticas é na meia final do Europeu com a França, o meu pai a dizer "Se não fosse o Bento... O Bento é o maior... Viva São Bento" E eu imaginava um gigante na baliza a defender os remates de um tal de Platini que também era o maior. Não era um predestinado para o lugar como a maior parte dos grandes guarda-redes, mas trabalhava como ninguém até aos 42 anos na baliza do Benfica como se tivesse acabado de chegar ao plantel pelo primeiro dia. Do alto do seu 1,73 m chegava a todo o lado. Era de elástico diziam uns, Sobrenatural disseram os Ingleses. O meu avô contava uma história do Bento em que ele dizia aos jogadores da barreira para saírem da frente porque ele não precisava e defendia tudo. Ou como daquela vez em que marcou um golo de baliza a baliza. Um dia, quando tiver filhos também lhes vou contar as histórias daquele gigante de bigode farfalhudo e sorriso escondido por baixo de uma aparente face austera e de como foi o melhor guarda redes português e um grande campeão. Era um senhor e o exemplo do querer próprio dos grandes homens.

Hoje, o cartoonista com mais piada em tiras de 3 quadradinhos não conseguiu mais que isto, tal como eu.





Até sempre Campeão, serás sempre o número 1!

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