terça-feira, 7 de março de 2006

Parte II : Brokeback Mountain

Ontem foi dia de retomar as idas ao cinema e com tantos filmes em falta, foi difícil escolher. Acabámos por optar pelo que estáva à mais tempo em cartaz e que, portanto, numa 2ªfeira à noite estaria mais sossegado - Brokeback Mountain. O filme mais falado e aclamado do momento, no bom e no mau sentido - já ouvi de tudo! Mal me sentei, ouvi o tipo atrás de mim comentar: "viemos ver um filme de paneleiros, não sei se estou preparado para isto!". E pensei: "só espero que guarde estes pensamentos idiotas para si durante o filme". Assim foi, daquela triste alminha nada mais se ouviu - pelos vistos esteve entretido! GOSTEI DO FILME, gostei mesmo! A única coisa que tenho a apontar é que a meio torna-se um pouco lento demais. Em nada achei, como já tinha ouvido comentar, que as cenas eram gratuitas. Muito pelo contrário, estão no sítio e no momento certo. Para mim é uma história universal, uma história de amor vivida por duas pessoas que o tempo, a vida, e os conflitos interiores pessoais teimam em afastar. E isto acontece todos os dias em todo o mundo. Partilhei o sofrimento deles e chorei... como choro sempre que o amor não triunfa. Sem dúvida que ás vezes o nosso pior inimigo e o maior obstáculo à nossa felicidade, somos nós proprios. Resta-me ainda dizer que as interpretações de ambos (Heath Ledger e Jake Gyllenhaal) são 5 estrelas, extremamente credíveis, principalmente o Heath que bem merecia um óscar (não desfazendo o Philip Kaufman, mas ainda não vi o filme dele!). Parabéns ao Ang Lee que soube como fazer um filme difícil de uma forma inteligente. A prepósito, o melhor comentário que li ao filme foi o do Nuno Markl, pelo menos compartilho da opinião dele...

Enquanto pensava e escrevia este post, lembrei-me deste pequeno poema que adoro...

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e separa.

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Ella

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