quarta-feira, 8 de abril de 2015

Ode aos dias cinzentos


ella



Não há visão mais deprimente que esta. Chegamos à estação e ups.... Onde esta o meu comboio? Olhamos para o painel e é isto. Mas afinal o que é que se passa? Atirou-se outra vez alguém para a linha? Será que estão outra vez em greve? Andamos ali de um lado para o outro sem perceber, até que ouvimos alguém comentar que "sim senhora, estão com perturbações por motivo de greve". Olhando para o placar eu deveria ter percebido, mas não. E porquê? Porque nos dias de hoje suprimir comboios quando lhes apetece é absolutamente banal. Sim, banal. Eu uso a linha de cascais há mais de 10 anos e sempre considerei um excelente serviço público. Nos últimos anos os serviços deterioram-se como com muitos outros serviços públicos e empresas públicas. A finalidade de todas estas medidas não é a salvação mas a venda. Mais uma política deste governo: a destruição. Convencer as pessoas de que não vale nada, de que é um peso morto. Como os CTT ou a TAP. E depois vamos vender baratinho. Os comboios onde eu ando, estão cheios. E poderiam ainda estar mais cheios se não fossem todas estas novas medidas. Assim como o metro. Os passes não são baratos. Os bilhetes de uma viagem são ao nível de outras cidades europeias com salários mínimos que ao pé dos nossos nada têm de mínimos. Querem repensar os serviços, repensem mas para melhor. Façam greves mas não avisem só com uma semana de antecedência. (E só em português.) Porque por vossa causa também nós temos que repensar as nossas rotinas e gastar em transportes mais do que aquilo que ganhamos por dia a trabalhar. Façam greve mas não em véspera de fim-de-semana ou só por 4 ou 5 horas. Lamento mas isso não é greve.




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