terça-feira, 19 de março de 2013

Teoria das Probabilidades


Johnny Depp, Vanessa Paradis & kids by Jean Marie Banier


Na primeira ecografia é mágico vermos pela primeira vez aquele pontinho minúsculo que já tem tudo para ser alguém como nós. É o nosso filho. Depois passamos semanas e semanas a imaginar como aquele pontinho se foi diferenciando e crescendo dentro de nós. Até que chega o dia de fazer a ecografia dos três meses. Enquanto por fora pouco se nota que aquele pontinho já não é um pontinho, agora é quase um pequenino ser como eu e tu. E mexe-se, mexe-se muito. Como se quisesse dizer que está feliz. Apesar de tudo o que ouvi do médico nesse dia, são esses pequenos movimentos que recordo. O bater do coração. Ver que tinha 5 dedos nas mãos e nos pés. O cérebro já com os dois hemisférios diferenciados. Os ossos do nariz (que hoje sei ser de extrema importância). O abrir e fechar a boca. O chuchar no dedo. O passar as mãos na cara. Todas essas pequenas coisas não vou esquecer. Não chorei, porque quando se está maravilhado não se chora. Sei que tu também sentiste o mesmo.
Mais tarde com as análises do rastreio bioquímico veio uma incerteza que tínhamos pensado mas não equacionado. A partir do momento em que sabemos que existe uma possibilidade de existir um pequeno ser a crescer dentro de nós, nasce um receio que se alimenta de tudo aquilo que vamos lendo e das histórias que nos contam que pode correr mal. Ao longo dos meses esse receio vai sendo abafado pelos sonhos que vamos construindo e as imagens que começam a povoar aos poucos a nossa cabeça. Quando ouvimos que aquele pequeno ser que cresce de dia para dia dentro de nós tem X probabilidade de ter uma deficiência, por mais que nos digam que os valores são perfeitamente normais e que o risco é mínimo, o nosso coração salta um batimento. Antes havia essa possibilidade, agora essa possibilidade é uma probabilidade e tem um número. E para quem é pai probabilidade não é ciência. Ciência ou é... Ou não é. Ciência não é alguém nos dizer: está tudo bem, só há X de probabilidade de estar tudo mal. No final do dia, a razão está no lado do médico que nos diz: não devemos valorizar o que não é para valorizar! E continuar... 
Uma coisa maravilhosa é que quando fecho os olhos e vejo o nosso pequenino ser pontapear o que para ele é o infinito ou chuchar no dedo, tudo fica bem. Porque se ele está bem, eu sei que nós também vamos ficar bem. A realidade é que Pai que é Pai quer o melhor para os seus filhos. Deseja o melhor para os seus filhos. E as probabilidades... São probabilidades.
A vida é um milagre. Cada vez mais me convenço disto.
Posso não saber o que vai ser de nós, o que a vida nos reserva... Sei que fiz a melhor escolha possível quando te escolhi para Pai dos meus filhos. E, apesar de todas as nossas dúvidas existências, práticas e materiais diárias e daquelas que são só tuas, eu sei que vais ser para os nossos filhos o melhor pai do mundo.

7 comentários:

  1. lindas palavras Ella... força! um grande beijinho...

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    1. Casulo diz-me tu... Da segunda vez é menos stressante esta parte? Feliz dia do Pai! Beijinhos!

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    2. Da segunda vez tudo é menos stressante, excepto essa parte ;) mas relaxa, até porque tenho uma teoria quase-cientifica que se gozarmos em pleno esses 9 meses, tranquilas e a fazer coisas que nos dão prazer (incluindo comer o que queremos!), eles saem mais tranquilos também!

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    3. Isso parece-me muito bem e não vem nos livros! ;)

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  2. Pai babado antes de tempo...assim não vale!

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  3. Muuuuuaaahhh... arrepios de emotion!!!!!!!! BB*

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