segunda-feira, 9 de abril de 2007

Ininterruptamente


Dizia ela: - Nunca mais tirarei os olhos de ti. Vou olhar para ti ininterruptamente. (...) Tenho medo quando o meu olho pisca. Medo de que, durante esse segundo em que o meu olho se apaga, se introduza no teu lugar uma serpente, uma ratazana, outro homem.
Ele tentava erguer-se um pouco para lhe tocar com os lábios.
Ela abanava a cabeça: - Não, só quero olhar para ti.
E depois: - Vou deixar o candeeiro aceso toda a noite. Todas as noites.

A Identidade, Milan Kundera
Ella