quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

TÁXI !!!

Bem, após pedidos de várias famílias aqui vai então a crónica dessa bela história de aventuras e desventuras que foi a passagem de ano em terras da Andaluzia e na sua capital, a monumental Sevilha! Intervenientes: Kalash, Ella&Louis, Menina dos lápis de cor, XMan, Djibicou, Mystic e Sharkman.
Tudo começa um par de meses antes (coisa inédita) com preparativos mais ou menos atrapalhados, conferências no Messenger e muita curiosidade para saber o que vinha aí…
No próprio dia da ida e após muitas falsas partidas… passas, champanhe, roupa, anel milagroso, necessaire, KGB, guronsan, telemóvel carregado, máquina de filmar, will to party, cabecinha e juizinho… estava tudo. Direcção Via do Infante, Espanha, Sevilha!
Chegada a Sevilha e pânico en la calle , tudo de pantanas, buracos gigantescos para fazer passar o metro (metro de superfície, pfff, metro é underground, senão é eléctrico ou tram como na Holanda) e tornar Sevilha numa urbe digna do séc. XXI. Apesar disto, nota-se que se vive bem aqui no meio do deserto. Arquitectura cuidada, muitas ruas pedonais, longas avenidas, ciclovias e laranjeiras que garantem a preciosa sombra para proteger dos 50º à sombra no Verão, bodegas e bodeguitas com Jamón Serrano pendurado e tapas na vitrine, Zaras e Mangos por todo o lado, uma porrada de Starbucks (entrei, pedi e bebi o meu expresso sob protesto – e era horrível o café, já agora), filas para ver presépios, bandas na rua e como diria o Obélix: São loucos estes espanhóis!
Depois de devidamente instalados resolveu-se ir à descoberta e que melhor maneira de conhecer uma cidade senão a pé. Mapa na mão, pés à estrada and here we go. Primeira paragem no La manzanilla para umas cervejas ou tinto de verano e umas tapazitas (com direito a medalha de bom comportamento :( e siga para o centro para ver as vistas e procurar sítio para o jantar do fim-de-ano. Tarefa que se revelou hercúlea uma vez que a gente aqui passa a Noche Vieja por casa, logo tudo o que é restaurantezinho responde com um mais ou menos educado “Cerrados por la cena”. Amanhã logo se vê… Doh!!!
Vêm-se as vistas, passeia-se pelas ruas que constituíram em tempos a medina e encosta-se numa bodeguita porque apesar da temperatura quase a zero a sede já aperta e procedem-se a mais conversas, vídeos, castanholas e jámon bem salgadinho. Ao jantar entra em cena uma mudança de personalidades e graças ao KGB a guerra-fria está de volta e o Serguei, Yury, Dimitri e Boris embarcam numa missão ultra secreta… Depois da medalha de bom comportamento ao almoço só faltava um banho purificante de cerveja ao jantar e após uma tentativa à Mr. Bean de secar as calças no secador da casa de banho o agora agente Dimitri vê-se obrigado a regressar à base (ainda desconfio que o empregado encheu demasiado o copo). É nessa altura que se conhece essa fauna sevilhana que são os taxistas. Esta espécie reconhece-se facilmente por se transportar em carros brancos com uma luzinha na parte de cima (Louis: verde - bom, nada ou amarelo – mau). Outras características que facilmente identificam este grupo são um amor exacerbado pelo Fernando Alonso (a estrada é toda deles) e pelas tardes de glória que José “El Serpentina” proporcionou na Real Maestranza com um rabo e duas orelhas confiscadas ao pobre animal.
Depois do regresso à base, dressed to kill, volta-se rapidamente à missão previamente delineada e o Táxi a metade do preço (I could swear these guys are trying to mess me up) com o azimute Calle Bétis… Conversas, palhaçada, mais umas rodadas e entretanto são horas de voltar para “casa” não sem antes fazer uma paragem estratégica para um midnight snack junto do hotel e experimentar um bocadillo de Jamón (y queso!!!) directamente da pata.


Estes somos nós versão South Park... Guesses anyone?


No próprio do dia 31 e após um sono retemperador com uma paragem para aproveitar o pequeno-almoço do hotel mais uma caminhada até à baixa. As ruas começam a parecer familiares e Sevilha não é mais uma estranha. Decide-se o sítio do jantar enquanto se encontram velhos conhecidos chegados no dia e prontos a partilhar da noite. Depois de uma ida ao hotel para vestir a farpela para a passage, no caminho de volta aconteceu a tragédia, o horror… A máquina de filmar, essa que tinha captado imagens memoráveis desde o primeiro momento… ficou no táxi. NAAAAAAAAAAOOOO!!!! Sem saber número, marca ou qual a empresa de táxis… Digamos que houve uma família sevilhana que teve o dia de reis bem documentado…

O jantar, diga-se, não foi nem bom nem mau. Tendo em conta o gang que era, sendo conhecidos pelas jantaradas de quatro horas, não foi propriamente a refeição desejada e a meio entre a pressão da empregada para sairmos ou faltas de ar, sonhava-se com polvo à lagareiro ou com uns secretos de porco preto. À falta destes ficámo-nos pelo Lechon, Solomillo de Cerdo ou Perna de Pavo no forno. Ainda se tentou trocar a conta com a mesa do lado sem sucesso e pronto, siga para bingo que é quase meia-noite e está tudo sóbrio… E qual é o sítio logo ao lado do restaurante que por acaso está aberto e tem cerveja a rodos ou melhor em pints? Um irish pub claro. Depois do jantar é que aparecem os bifes…
Como estava tudo cheio passou-se à dieta líquida com a descoberta da cerveja de trigo até bem perto da hora certa. Dois passos depois estava tudo de olho no relógio do Ayuntamiento à espera das 12 campanadas para comer as passas ou uvas no caso dos espanhóis (pareciam hamsters com a ração na boca). Claro que na própria da hora alguém começa a gritar na altura em que pareciam ter começado as badaladas, salta a rolha do champanhe, festa, eeehhhh… e éramos praticamente os únicos a gritar que nem loucos!!! Awkward moment até que começam as verdadeiras badaladas e já andava a malta com passas na boca, copos estendidos e aos beijos e abraços com desejos de um grande ano para todos, paz no mundo, cursos acabados, empregos certos, sorte nos amores, muita saudinha para toda a gente, Taça Uefa para o Benfica :) e todos esses desejos que apesar de ser apenas mais um dia, se pedem com mais força.

Depois, bem, começa a 3ª Grande Guerra. Petardos, morteiros, foguetes, estalinhos e bombas chinesas lançadas pelo povo e o trauma recorrente de uma famosa noite de 15 de Maio. Do orçamento público nem um cêntimo para pólvora colorida a explodir no céu! Depois disto só faltou aparecer alguém de bandeira verde rubra a gritar “Canas a Concelho”, “Olivença ainda será nossa” ou “A padeira é que a sabia toda!” e tinha sido o delírio. Entretanto depois de dadas as passas e das garrafas esvaziadas, espera-se pacientemente pela uma na esperança de se ouvir o bater do sino e comemorar a passagem à hora da santa terrinha. Aguentámos firmes como D.Nuno em Aljubarrota apesar dos avisos da malta das Canárias para tomar atenção a eventuais garrafas voadoras dirigidas aos hermanos deles. À hora certa afinal o povo é sereno e o dobro dos desejos pedidos.

Enregelados mas com a alma quente passou-se para a secção dos bares em busca de manequins desmembrados (!!!) e algo para molhar a garganta. Missão cumprida e siga para Bétis uma vez mais. Mais uma caminhada, desencontros nos semáforos e estamos menos dois que se passaram para “África” ou Ásia conforme a perspectiva ;) . Barzinhos, discotecas, tudo à pinha. Filas de 200 metros de sevilhanos de fato e sevilhanas sem castanholas mas com vestido de noite… Depois… tequilha, cerveja, movida, festa, tigresses e está na hora de apanhar mais um Táxi. Perante uma fila mais ou menos significativa resolve-se ir ao outro lado tentar a sorte. Os 3 primeiros ainda vão rapidamente, agora os outros 3… 5, 10, 15 minutos depois nem um sinal do carro branco com a luzinha verde acesa. Além de nos ficarem com a máquina ainda obrigam um gajo a palmilhar o caminho de volta ajudados apenas pela boa disposição carregada de riso incontrolável. O positivo da situação foi que se encontrou pelo caminho um boteco com Samba nas colunas e vitrines cheias de pizza, sandes e donuts do ano passado a sorrirem para nós como se tivéssemos chegado ao Shangri-la. O resto do caminho, bem, são fait-divers com direito a uma sessão de stress (a primeira do ano) originada pela caminhada vigorosa como se não houvesse amanhã sem atentar ao caminho. Caminho achado, hotel, xixi cama e sonhos cor-de-rosa…
Dia 1 = ressaca devido aos KGB estarem no saco da máquina, tentativas infrutíferas de a recuperar, paragem em Olhão para uma espetada de tamboril com gambas que já não há, fazer contas à vida e ala que se faz tarde porque há gente que ainda tem de voltar ao Oeste para a semana de trabalho.

Depois de algumas visitas à Andaluzia fica a sensação (pelo menos para mim) de que não é a melhor, a mais bela ou mais vigorosa província espanhola e a estrada que leva a Gibraltar ainda se apresenta como a melhor característica deste enorme deserto, mas o melhor para tirar todas as dúvidas é voltar… Voltar até não ficar nada para conhecer, disfrutar ou experimentar!

Enfim, foi mais Fiesta do que Siesta, e o balanço é extremamente positivo. Para o ano, só tenho uma condição. Vamos para um sítio em que o dress code seja Havaianas, t-shirt e calções!!! Boa?

UFF!!!

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