sexta-feira, 24 de novembro de 2006

O meu pior defeito


Deixem-me que vos conte uma história verdadeira...
Uma destas noites fomos a um bar ouvir, pela terceira semana consecutiva, os "Cauda da Tesoura", dois rapazinhos que tocam e cantam muito bem.
Foi uma bela noite de convívio entre 3 amigos dos tempos do Liceu, daqueles amigos que passaram juntos pela adolescência, que viveram coisas inesquecíveis, e que agora, passados alguns anos, têm perspectivas de vida muito diferentes, no entanto o tipo de relação que nos une continua a ser o mesmo, por mais anos que nos separe a vida! (não sei estão a ver a ideia).
Estes belos amigos quando se juntam, conversam sempre sobre diversos assuntos, mas inevitavelmente o primeiro assunto é sempre fazer um ponto da situação sobre a vida dos nossos amigos dos mesmos tempos de escola: como está, com quem está, o que faz, o que fez e tal e coisa... raramente escapa algum a esta espécie de censura!
Relembra-se sempre uma história ou outra e depois sim, conversa-se um pouco sobre a "actualidade", das nossas vidas, das dos outros, do que sentimos, do que se passou entretanto, etc, etc, etc. São momentos únicos, são "intimidades" únicas, são pessoas que nos conhecem bem e sem máscaras, a sua opinião é mtas vezes imprescindível ao desenrolar das nossas vidas (mesmo que façamos o contrário da opinião deles...)
Bem esta história até agora não tem nada de estraordinário, nada de diferente nem nada digno de nota a não ser relatar uma noite de convivio entre amigos. Mas nesta noite, tal como em todas as outras quando nos juntamos, aproveitamos sempre para por as garras de fora e escamotear até ao tutano os defeitos de cada um. Até aqui, nada de anormal.
O verdadeiro problema foi quando a amiga Ella perguntou à amiga Mystic e ao amigo Sharkman:


- Então e e tu, qual é o teu pior defeito?

A Mystic e o Sharkman, como é hábito, responderam muito frescos e com grande gargalhada:
- Ai isso é mto fácil, claro que sei qual é o meu pior defeito!

Ao que se seguiu, um entre-olhar, um momento de pausa, uma reflexão. Começamos a falar e a discutir o assunto, e chegamos à conclusão que os nossos piores defeitos rapidamente descobertos, eram mto relativos e que todos nós achamos que o nosso pior defeito, pode ser também a nossa maior virtude.
Seguiu-se um novo entre-olhar, um novo momento de pausa, uma nova reflexão, e a constatação que afinal nenhum de nós foi capaz de responder, qual é o seu pior defeito.
Bem, isto deu que pensar, mas fui para casa dormir porque já era tarde e não dei mta importância ao assunto...
Ontem fui jantar com o Sharkman (à Bella Millano e não comi pizza de atum) e ele diz-me assim:

- Ainda não parei de pensar naquela história de qual é o meu maior defeito, dois dias a pensar nisto e ainda não cheguei a uma conclusão!

Meus caros amigos,
A única conclusão a que cheguei foi que: tenho plena consciência que tenho defeitos (o que significa que tenho pelo menos uma parte do cérebro a funcionar), sei também que aqueles que vejo como os meus piores defeitos são algumas das vezes as minhas maiores virtudes e concluo que não consigo fazer uma avaliação de mim mesma como faço dos outros.
Agora deixemo-nos de teorizar, que vai chover o fim de semana todo e tenho muito que fazer.
Um Abraço,
Mystic

"Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo? "

Álvaro de Campos
in Tabacaria
E tu, qual é o teu pior defeito?

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