sábado, 18 de novembro de 2006

Mulher em Branco

de Rodrigo Guedes de Carvalho



Ando à algum tempo para escrever este post sobre o livro mas tem-me faltado a coragem. Tem-me faltado a coragem porque é impossível escrever sem revivê-lo. E ainda me dói. À livros que se colam a nós e teimam em não nos desabitar, livros que adormecem connosco. São assim os livros bons, pelo menos comigo.

Lembro-me muitas vezes deste verso...

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Muitas vezes. Quando me abraças e te sinto meu. E penso no quão rápida é a sorte, nas pequeninas coisas que mudam e principalmente naquelas impensáveis que se precipitam. O nosso destino em mãos que não são as nossas. Dói-me pensar na crueldade do mundo e se sobreviveremos. Dói-me.

Este livro fala disto mesmo, desses breves instantes decisivos. Da crueldade da realidade em que vivemos e como vamos sobrevivendo a ela.
Adorei o livro. Sofri mas adorei. Gostei muito da forma expressiva como escreve. Pela segunda vez em muitos anos confesso saltei um capítulo. Da primeira vez que o fiz recusei-me a ler o último capitulo de um livro que amo, pois para mim essa história não terminará. Desta vez li-o mas aos soluços, a direito doí-a muito (e quem já leu o livro já imagina qual terá sido). Isto é o melhor dos livros, e a prova irrefutável que os livros não são de quem os escreve mas sim de quem os lê, na minha opinião.
Se por acaso precisam de um empurrãozinho para o lerem deixo uma breve sinopse... Uma mulher ao receber a notícia do desaparecimento do filho perde a memória.

Ella

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