quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Children of Men



Children of Men de Alfonso Cuaron.
Ora aqui está um belo filme. Enfim, “belo” talvez não seja o melhor adjectivo para descvrever a filmaça. Mas é uma grande filmaça. Filme de ficção científica praticamente sem efeitos, sem sabres de luz, sem personagens feitas a computador, sem naves e mauzões vestidos de preto com vozes esquesitas. Aqui é tudo muito normal, o mundo está mal, as nações autodestroem-se, a poluição está ao rubro, os imigrantes são deportados, os políticos são cada vez mais corrompidos, etc. O pequeno toque de ficção científica está num pormenor bem grande: os humanos ficam incapacitados de se reproduzirem, as crianças deixam aos poucos de existir, a população envelhece globalmente rumo a um futuro sem futuro! A personagem principal deste futuro sem esperança é o cada vez mais admirável Clive Owen. O filme consegue criar um delicioso ambiente de opressão e desespero em torno das personagens ao jeito de um bom “survival”. A crueza das imagens de Cuaron , a representação de um mundo muito realista com problemas não menos realistas e a luta da humanidade contra a sua própria humanidade dão a este filme o impacto apropriado para sairmos da sala a pensar nele (são esses filmes que têm direito à menção "filmaça"!). E para aqueles que reduzem ficção científica a guerras no meio das estrelas, este é com certeza um bom filme para abordar o género.
PS: Também gostei de ver os curtos bons momentos de Michael Caine.

LOUIS

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