sexta-feira, 12 de outubro de 2007

"Portuguese c'est comme Marocain: Bancarrota!"


A primeira vez em Marraquexe nunca se esquece. Éramos cinco. Dois condutores, um co-piloto a Princesinha do Faroeste e o francês. Apanhámos o francês em Cascades d'Ouzod, oásis na aridez do interior marroquino. Viajante solitário, encontrámo-lo a pagar o triplo num tapete "berbere". Pediu boleia para voltar a Marraquexe, nós demos. Chegamos ao fim da tarde e as palmeiras recebem-nos na cidade vermelha. 4 carros em faixas de 2, petits taxis, grand taxis, aceleras a pedais e uma 4L branca à pinha. Chega-se ao Ali, inesquecível abrigo no coração da cidade. Recebidos com um sorriso como sempre. Não há quartos. Não faz mal, também não queriamos um. Dali para a Djemaa el-Fna, o centro do mundo. Guiados pelo francês e o seu Guide du Routard, que nós até só comprámos um mapa das estradas ao terceiro dia. Janta-se no n.º1. Uma das dezenas de barraquinhas no meio da praça, ao lado de uma outra que só tinha miolos de carneiro, e que surgem por entre encantadores de serpentes, dentistas, contadores de histórias, actores momentâneos e saltimbancos. Negócio familiar de gente boa e genuinamente feliz. Óptimo para variar do pão com Vaca que Ri dos pequenos-almoços e almoços e do invariável arroz com atum e feijoadas em lata de todos os jantares. O repasto: tagines, brochettes et beaucoup des frites. A sobremesa, pastilla, sublime bolo folhado de pombo e canela. Depois de mais uma volta pela praça a ouvir contar histórias numa língua que não entendemos sai-se para a medina guiados pelo francês que supostamente até conhecia aquele labirinto. Boa hora. Enquanto nos achávamos, a hospitalidade marroquina revela-se mais uma vez e um grupo de míudos convida-nos para o casamento da irmã de um. Surreal como se imagina. Noiva num andarilho de vestido branco e palmas das mãos encarnadas, música e dança sob as estrelas e a vontade de conhecer dois mundos de parte a parte. Com o espírito nas 1001 noites de volta ao hotel guiados pelos nossos novos amigos. Amigos daqueles que nunca mais se vão ver. Finalmente o descanso no terraço do Ali. Naquele hotel de 1000 estrelas, enebriados pelo ar da noite do deserto deixamo-nos levar com o som das mesquitas ao fundo. Inesquecível como vos digo. Gostava de vos mostrar.
Vamos?

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