Ok, admito, podem chamar-me fútil ou impulsivo, não interessa. Mas todos temos que admitir que o verdadeiro Amor pelo objecto existe. Aliás, penso que essa noção até proporciona algum conforto e esperança de que a vida não é apenas fazer e usar aquilo que é funcional, mas é também manter um certo culto pelo belo, pela boa construção, pelos objectos duradouros, em que a noção de estilo é equivalente à funcionalidade e praticabilidade desses mesmos objectos ou coisas.
A isto chamo a verdadeira Arte, neste caso das Coisas. Claro que a arte vem com um preço e pode ser apenas pretexto para nos armarmos ao pingarelho. Mas quando existe genuíno amor existe arte, desculpem a expressão foleira!
Isto tudo para dizer meus amigos que tive um big crush, amor à primeira vista, grande pancada ou simplesmente um flash quando esta "coisa" apareceu à frente dos meus olhos:
Vim a saber que é uma tokyobike, uma bicicleta citadina super leve e compacta, "com ênfase no conforto em detrimento da velocidade para desfrutar da cidade", segundo as próprias palavras do construtor. Para mim apenas duas palavras: Must have!!! Assim vale a pena viver…corrijo, assim vale a pena andar de bicicleta :)
À venda no bonito Vélocité Café, com pessoal muito simpático que vende, aconselha e arranja bicicletas e um café que faz descontos aos ciclistas. Arte mes amis!
São as frases mais repetidas sempre que o mini-moi coloca as suas mãozinhas na boca. Não sou mãe há muito tempo mas já percebi que se há coisa que aflige as pessoas é os bébés passarem fome. Não é que eu seja insensível a este problema mundial... Pelo contrário, era flagelo que gostaria de ver erradicado do mundo. Agora quer me parecer que o meu filho está longe de se enquadrar nesta categoria. Quando a minha criança leva as mãozinhas à boca em 95% das vezes não tem fome, tem sim vontade de sentir o consolo e o mimo que sente quando mama. Estamos entendidos? Não me parece porque...
A Ella tem insistido que este assunto merece a atenção devida e o seu próprio "post" porque, efectivamente, o facto é notório e inegável:
Este é um Verão "orgásmico" para qualquer fã de ficção científica minimamente digno e atento!!!
Não quero com isto dizer que tenho pessoalmente alguma pancada específica por filmes de ficção científica e que tenha interesse no assunto…...arrrrgh que mentir é feio. Mas tenho que mostrar alguma contenção. Vai ser difícil. E ainda não vi todos os filmes. Vou tentar manter a calma e organizar a listagem por ordem cronológica de visionamento e futuras estreias:
0 - Oblivion, de Joseph Kosinski (o homem de…?? Tron: Legacy, ao que parece. Ok.)
Conta como 0 na lista porque estreou antes do Verão. Mas é Sci-fi e não achei nada mau! Apesar de ter o Tom das Cruzes no comando (que até tem algum jeito mas mais talhado para outros papéis tipo Top Gun e Days of Thunder, se bem que gostei de o ver no Collateral do Michael Mann e Tropic Thunder do Ben Stiller…e vá, no guilty pleasure Jack Reacher! Minority Report e War of the Worlds são também grandes filmaças de sci-fi mas nos quais gostava de ter visto outro actor principal).
Em Oblivion fica para destacar sobretudo o incrível production design que, para mim, conta imenso para bons filmes de ficção científica. Banda sonora apropriada, actores muito decentes e uma história interessante com alguns twists simpáticos. Mas aquela piscina suspensa é que não me sai da cabeça..!
1 - Star Trek: Into Darkness, de J.J. Abrams (o homem de M.I. 3, Super 8, séries Lost, Alias, Fringe, etc)
Para abertura das hostilidades de Verão não está mau (contenção, contenção…)! Depois da brilhante estreia do primeiro capítulo em jeito de reboot modernizado e actualizado com um justíssimo equilíbrio entre homenagem aos clássicos e time-line alternativa para justificar as "infidelidades", esta sequela não lhe fica atrás, agora com um piscar de olhos ao glorioso "Star Trek II: The Wrath of Khan" (de 1982, oh meu Deus!!). Tenho apenas pena que algumas das personagens secundárias não tenham tido mais protagonismo, como no 1º filme. Mas mais num digo, porque, tal como a irmã da Ella, estou a pensar vincular-me ao grupo extremista "Ouvir a banda-sonora antes de ver o filme é SPOILER!!". Ou seja, não irei revelar nada das narrativas dos filmes desta lista, se bem que não resisto em dizer que a banda sonora do filme nº3 da lista é BOMBÁSTICAAAAAA!!!!!!!!!! (contenção, contenção…)
2 - Iron Man 3, de Shane Black (realizador do...Kiss Kiss Bang Bang versão 2005, com o próprio Robert D. Jr e o Val Kilmer gay, muito bom!)
Não é bem Sci-fi mas ao mesmo tempo é. Toda a gente sonha com um computador como o Jarvis, certo? Bom, este número 3 para mim está melhor que os outros, com mauzões um pouco menos patetas com um Mandarim em grande (releio esta parte dos mauzões e, vistas as coisas, parece um total contra-senso para quem já viu o filme)! Talvez tenham exagerado um pouco com o final cheio de...e a Pepper Pots que...ok, nada de spoilers. Resumindo, vale a pena ver nem que seja em casa (agora também não têm outra hipótese), tem os bons momentos do costume com o Tony Stark a precisar de um psiquiatra. Diz que foi o último Iron Man com ele, sem contar com os Avengers. Veremos...
3 - Man of Steel, de Zack Snyder (o homem de 300, Watchmen, Sucker Punch, Dawn of the Dead, etc, grande homem!!)
Ora bem (contenção, contenção). Nem sei por onde começar. Mas há aqui vários factores que me impedem de ser completamente imparcial. Primeiro o cocktail explosivo de Zack Snyder (realizador) + Christopher Nolan (produtor e história) + Hans Zimmer (banda sonora) só podia dar bom resultado. Depois tivemos o privilégio de estrear o IMAX do Colombo com este filme. Oh meu Deus!!!! Aquilo é sempre a abrir, os actores estão perfeitos, os voos do homem de aço dão arrepios na espinha e, o mais importante, voltamos a sonhar sermos um dia o Superhomem. Saímos da sala com um sorrisinho estúpido nos lábios, mesmo depois de apanhar uma carga de porrada de décibeis e descolagens supersónicas. Penso que é tudo o que se pode desejar de um filme de super heróis! E não me venham com tretas de "ah, está muito sério tipo batman, o homem só sorri uma vez no fim do filme, etc etc etc." Não me venham com tretas, apesar de ser o 6º filme do superhomem e o 3º reboot, este é o melhor de sempre e apenas de vislumbra vir a ser superado pelo Man of Steel 2 - Batman vs Superman. Só em 2015….arrrrghhhh.
Continuação num próximo post que isto já vai longo. Que grande Verão, pena que esteja a chegar ao fim….
Não resisto em colocar um momento glorioso da banda sonora do Hans Zimmer, digam lá que isto não dá arrepios!
Não
é todos os dias que apetece falar apenas de um disco. Mas, felizmente, existem
excepções. Para mim, a dificuldade em descobrir o disco perfeito é o impossível
desafio entre um primeiro impacto “whaaauuu”, um segundo impacto “maaaannnnnnn”
e um terceiro impacto “fod........ssssssssssssss que isto é muita bom”.
Traduzindo as onomatopeias pouco claras, é um equilíbrio perfeito entre
originalidade, groove vs qualidade e o
quanto continua interessante ao fim de uma semana a ouvir incessantemente o mesmo
disco. Falo do incrível “Shadow Theater” do fascinante pianista (e mais novo do
que eu uma porrada de anos....!!!) Tigran Hama...coiso. Vá, faço o esforço
porque o moço merece, Tigran Hamasyan. Um jovem prodígio arménio que, pelos
vistos, para além de ser um pianista explosivo é um compositor (e esteta!) do
caraças. Fez um disco que não se pode dizer que seja de jazz, é sim uma mistura
entre música tradicional, pop, rock progressivo e....também jazz! Vá, para os
sépticos do costume, sim tem voz, não é só instrumental. Mas não se percebe
nada da letra, aviso já. Têm aqui o link do spotify com o disco completo, façam um favor a vocês mesmo e ouçam isto com alguma atenção e abertura
de espírito, vão ver que a viagem vale mesmo a pena!
Já agora se gostarem mesmo comprem o disco. Viva o cd!
Os velhos - lamento, mas detesto a palavra idoso - são chatos, teimosos e só fazem o que querem. Bem sei que, um dia, também eu serei velha, chata e teimosa mas não há paciência para os aturar. A minha avó é muito boa pessoa mas nos últimos tempos consegue levar a minha paciência ao limite. Confesso que até poderia achar anedótico se não fosse ser a minha avó...
ella: Vou oferecer-te uma bengala.
avó: Bengala?
ella: Sim, para não andares a tropeçar e a cair.
avó: Não quero, isso é para os velhos. Eu lá tenho idade para andar de bengala!
avó: Telefonou o senhor para dizer que a lápide estava pronta e eu fui lá busca-la.
ella: Foste lá busca-la?
avó: Sim.
ella: Como?
avó: Trouxe-a no carrinho das compras.
ella: Achas que havia necessidade de ires à hora de almoço com 38ºC ao cemitério a pé toda vestida de preto e de manga comprida?
avó: Não estava assim tanto calor e eu levei o chapéu na cabeça.
O último domingo de Agosto foi de despedidas. Do Verão. Dos mergulhos. Dos amigos. Da vida a dois. Estava um belo fim-do-dia... Ficamos à espera de recuperar mais dias assim e de partilhá-los com os amigos e o nosso pequeno mini-moi.
Todas as fotos são do Louis e foram tiradas no Baleal (Peniche).
Ontem dei de caras com esta entrevista da Anabela Mota Ribeiro à Clara Ferreira Alves. Um retrato de Portugal que penso que todos deveriam ler. Duas mulheres muito interessantes... A Anabela Mota Ribeiro conduz entrevistas como poucos são capazes de fazer, onde se destaca não só pela dedicação com que as prepara mas também pela espontaneidade. E a Clara Ferreira Alves - o que dizer desta Senhora?! - é uma referência.
Passaram duas semanas de aprendizagem constante. Dizem que o papel dos pais é ensinar mas, na realidade, até agora tem sido aprender, aprender, aprender. Parece tudo tão simples, mas as variáveis são tantas. Entre as famosas dores tortas que
atacaram logo após o parto e me fizeram implorar por mais epidural. Um
bébé dorminhoco, impossível de acordar e umas enfermeiras rigorosas com a hora da
comida. A famosa subida do leite que começou no dia em que saímos da
maternidade e que, ao contrário do mini-moi, me fez passar uma noite em claro.
O pós-parto. O cansaço. As cólicas. Os avós. As saídas de casa impossíveis de planear. E todo um mundo de outras pequenas coisas. Enfim... Têm sido duas semanas a aprender a conhecer o nosso mini-moi e a aprender a ler os seus sinais. Ser Pai aprende-se. Na maioria das vezes por tentativa e erro. Outras por instinto. E em caso de dúvida com o coração. Algo me diz que será sempre assim.
Para não se falar só de bébés, fraldinhas, cólicas e afins... Aqui vos deixo a última colorida criação da apple, o iPhone 5c. Aquele que, dizem, será o iPhone lowcost. Quanto a isso não sei e tenho dúvidas, pelo menos em Portugal graças às "nossas" operadoras móveis e ao contrário de muitos países ter um iPhone ainda é um luxo. E quem me conhece sabe como sou ultra-sovina no que toca a gastar dinheiro no geral e, em particular, com telemóveis. O que é certo é que antes achava que receber e fazer chamadas era tudo o que eu precisava... Estava tão enganada. Hoje sou dependente do meu iphone'zinho herdado do Louis. Dá-me muito mais coisas do que eu poderia imaginar. Enfim... Todo um mundo de aplicações sem as quais poderíamos viver mas não seria a mesma coisa. De qualquer modo estes 5c são girinhos, girinhos de ver. E de certeza mais fáceis de encontrar na mala.
E pronto, agora vou ali dar de mamar.
É verdade, o que não faltam são aplicações para quem dá de mamar poder controlar o tempo entre e durante, assim como qual das mamas. Coisas muito práticas quando se acorda a meio da noite com uma pedrada de sono e já não nos lembramos do que fizemos 4 horas atrás. Acreditem, vão por mim!
Eu uso a da Pais&Filhos que é grátis, mas há muitos outros.
Estou aqui sentada no sofá a ver o meu filho dormir. Num instante passou uma semana. O meu filho tem uma semana. O meu filho. Ninguém nos prepara para esta avalanche de sentimentos. Ainda é difícil acreditar que tudo passou. Que está aqui, connosco.
E enquanto as hormonas do "esquecimento" não começaram a actuar vamos ver se ainda consigo colocar a história de pé...
Tudo começou com uma mãe incrédula de que estaria efectivamente em trabalho de parto, um pai em negação, e um dia de contracções irregulares que se foram regularizando aos poucos. Quando finalmente o pai se convenceu, pelo sim pelo não, metemo-nos no carro rumo a Lisboa enquanto ouvíamos na rádio o concerto do Carlos do Carmo no Festival do Crato. Ao chegarmos, como as contracções já estavam de 5 em 5 minutos e cada vez mais intensas, decidimos fazer uma visita à Maternidade para tirar as dúvidas. Com a descontracção e a calma de quem achava que a iam mandar para casa enganei a enfermeira da triagem, mas o CTG e os 3 cm dilatação não deixavam dúvidas... O mini-moi ia nascer. Depois da bendita epidural foi esperar que a dilatação chegasse lá. A noite foi passando e ao nascer do dia, assim do nada, tinha as médicas a dizer-me para fazer força. Nós incrédulos. Mas é agora? Rapidamente perceberam que iam precisar de ajuda para fazer nascer este pacotinho de 3,780g. Em pouco tempo e uma ventosa depois, o mini-moi estava cá fora. O meu grande peixinho nasceu ainda dentro do seu aquário. Tudo assim... Muito, muito, muito intenso. Num instante. Não senti dor, mas senti tudo. E sentir tudo, chega a doer. Tenho hoje um respeito enorme pela minha mãe e por todas as mães que passaram por isto sem epidural. Como é que é possível? E como é que é possível a nossa cabeça não explodir com um aneurisma? Mistério. Enfim... Segundo as médicas para primeiro filho todo o processo não poderia ter corrido melhor, eu continuo a achar que a nossa evolução tem de continuar... Isto não pode ser a melhor solução.
Ao contrário do que tinha pensado não chorei quando o vi pela primeira vez quando o colocaram em cima da minha barriga. Chorei momentos mais tarde quando o vi vir ter comigo ao colo do Pai e ficamos, por fim, os três.
Estrela da tarde
de José Carlos Ary dos Santos
Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.
É a melhor palavra para definir tudo o que aconteceu. E como em qualquer epopeia, houve um herói para tornar todos estes acontecimentos épicos: Ella! Aguentou, aguentou e aguentou "quase" como se nada fosse, tal como os heróis fazem com o peso do destino da Terra nos seus ombros (ou nas suas barrigas, neste caso). Nem as enfermeiras queriam acreditar! E quando chegou o momento, transformou-se em super guerreira (passo a referência…) e deitou tudo cá para fora para dar vida ao ser mais lindo deste planeta. Uma palavra: Épico! Nunca conseguirei agradecer o suficiente todo aquele esforço e sacrifício. Só me resta fazer como nas epopeias: venerar e contar a história.
Mil milhões de obrigados Ella, és a minha super-heroína para todo o sempre.
ps: por acaso vimos o filme na semana passada, é bem simpático. É sobre filhos e pais! :)
Estes últimos dias têm sido muito interessantes. Contracções a intensificarem-se e a multiplicarem-se. Ontem foi a primeira noite em que não dormimos bem, com dores na zona lombar. E o pequeno mini-moi, que normalmente está sossegado durante a noite, claramente também não estava muito contente com a situação. Será que é isto? É agora? Não, não deve ser, se não estaria a contorcer-me no chão de dores! Cada vez estou mais convencida que este sistema está mal feito. Não só pelo péssimo sistema de evacuação, mas também porque chegado "o momento" devia soar um alarme (tipo sirene dos bombeiros) para a malta saber... OK, é agora! Porque isto do corpo dar sinais é muito subjectivo, e eu nunca fui boa a interpretar sinais ou a ler nas entrelinhas. E passam-nos uma série de coisas pela cabeça... Todas as histórias que ouvimos. O que aprendemos nas aulas de preparação para o parto. O que lemos. Tudo isso vai pairando sobre a nossa cabeça... Mais de 60% das crianças nasce depois das 40 semanas. Se não rebentarem as águas têm que esperar até ao "5-1-1" para irem para a maternidade. O trabalho de parto leva em média 12 horas para o primeiro filho (depois do 511). A minha irmã foram 4 horas. A minha prima foram 48 horas.A barriga hoje parece mais descaída. Não essa barriga ainda está muito para cima. Mais isto e aquilo. E as histórias mirabolantes do programa I didn't know I was Pregnant? Pois é. Para além dos mixed signals, fica a imagem das grávidas que encontro quando tenho consulta na urgência da MAC que são mandadas para casa porque ainda não é nada de "especial". A minha médica diz: Não te preocupes quando chegar o momento não vais ter dúvidas. Será? Vale um pai ultra mega calmo para quem nunca há stress. Zen absoluto. Está tudo bem e temos mais que tempo.
Aqui por casa gostámos muito. Grande parte do filme, eu e o Louis, passámos a rir e a olhar um para o outro sem precisar de trocar uma palavra. Na realidade, pelo menos enquanto casal, não somos tão diferentes uns dos outros quanto julgamos. Chega mesmo a ser constrangedor, senti que estava a assistir a um "teatrinho" da nossa própria relação. Outros problemas, a mesma dinâmica. Enquanto espectadores apercebemo-nos daquilo que dentro de casa passa despercebido.
Também tiveram essa sensação?
Aqui fica a verdadeira história que deu o mote a estes 3 filmes e que para sempre ficará imortalizada no cinema.
Enquanto o Louis (aka Pai da Criança) não se chega à frente com um post sobre os muitos filmes de ficção científica que estrearam este Verão, eu decidi apelar ao vosso lado mais populucho e incentivar-vos a ir ver a Gaiola Dourada. Num momento em que tanto se fala de emigração... Em que o primeiro ministro nos acena com um lencinho branco a despedida... Em que vemos os nossos familiares e amigos irem... Parece-me muito apropriado este filme, apesar de a realidade da emigração de outrora ser bem diferente da dos dias de hoje. Se é um filme inolvidável? Não é, mas também não me parece que seja essa a ideia. É um filme bem disposto, onde o cliché e o estereotipo são retratados de forma delicada, com carinho e bom gosto. E isso não é um trabalho fácil. Ás críticas que referiam a falta de profundidade dada ao tema e a lightness geral do filme, apenas tenho a dizer que é exactamente isso que acho que falta ao cinema português. Mais Pai Tirano, menos Branca de Neve. Com todo o respeito há espaço para tudo. Se querem um filme simpático para estas noites de verão... É este.
Hoje faz 37 semanas que vivemos em perfeita simbiose... Perfeita pelo menos para ele. E isso é que é preciso. Que o menino esteja bem. Portanto a partir de agora o dia D pode acontecer. Quando o menino quiser. Como o menino quiser. Ele é que manda. Se estou ansiosa? Quem é que no seu perfeito juízo que vai ter uma coisa com mais de 2.5Kg a sair de dentro de si não estaria? Claro que estou. Estou ansiosa por o ver pela primeira vez. Estou ansiosa por não saber nem onde, nem como, nem quando vai acontecer. Não estou nervosa. Vivo muito bem estes dias desfrutando destas sensações que são únicas. Durmo ainda melhor. Se me conheço, quando chegar o momento, vou ter 5 minutos (no mínimo) de ataque de pânico... E depois vou respirar fundo e com ajuda dos meus homens no final vai ficar tudo bem.
Faz agora 20/21 anos que as minhas irmãs nasceram. Foram os últimos bébés na minha família. Lembro-me como se fosse hoje o dia em que cada uma delas nasceu e o que senti quando as vi pela primeira vez. Lembro-me de todos os pormenores. Lembro-me de ficar horas a olhar para elas muito quietinhas a dormirem. Também me lembro dos gritos e das birras. Faz parte. Lembro-me de dar banho. Lembro-me de mudar muitas fraldas mal-cheirosas. As primeiras papas. Os primeiros mergulhos. Quando começaram a andar. Lembro-me de tantas coisas boas. Mesmo boas. Espero reviver todos esses momentos. Todos.
***
Hoje dizem-me: Fazer anos é deprimente... Primeiro penso: Tótós! Depois dou por mim a pensar no que eu sentia quando tinha a idade delas. É verdade, não foi a altura mais feliz da minha vida. Pelo contrário. Tudo estava ainda por realizar. Um mundo de contrariedades. As frustrações. Todos à nossa volta parecia terem aquilo que nos faltava. E depois uma vida inteira à nossa frente. Hoje posso lhes dizer... O melhor está ainda por chegar! Mau seria o contrário.
Apareces assim com ele ao colo. Com aquele teu ar calmo, tranquilo e um sorriso.
Também ele respira essa calma e olha-te como se te conhecesse.
Poderemos nós ter saudades daquilo que nunca foi? Dos instantes que nunca vivemos? Dos momentos que sonhámos viver?
Realidade que nunca será real. Imagens que vou construindo sobre a realidade e que guardo carinhosamente como pedaços de memórias perdidas no tempo. Na esperança que um dia de tão entrelaçadas se tornem reais. Na esperança que me esqueça que nunca as poderei viver.
Como prometido aqui ficam as restantes fotos que o Louis fez na exposição.
Espero que gostem, e mais uma vez, vão até lá!
Ao contrário das criticas dos turistas que ao visitarem Versalhes acharam que ter exposições temporárias no palácio lhes estragava a experiência... Eu não concordo. Pelo menos, não neste caso. Não me parece que as obras se desenquadrem tanto assim do espaço envolvente que não permita desfrutar das duas realidades.