No primeiro dia chego a casa, descalço os sapatos e atiro-os para o meio do corredor. Silêncio. Estou sozinho. Abro o frigorífico. Jantar... Taça de korn-flakes. Estendo-me no sofá, abro o computador, ligo a televisão. Barulho. Estou sozinho. Sabe bem.
No segundo dia igual. Estou sozinho. Sabe bem.
Ao terceiro dia ainda o silêncio. Pego no telemóvel. Quando é que é mesmo que voltas? De novo o silêncio. Estou sozinho.
Ao quarto dia chego e ainda não estás. As horas passam lentamente. Silêncio. Vazio. Estou sozinho.E não sabe bem. Fazes-me falta.
ella
Das conversas que continuam para lá do que escutamos.
A minha irmã falou-me disto mas custou-me a acreditar.
Isto é muito à frente para mim e dou por mim a pensar em todas as vezes que ralharam comigo por travar com os pés! Já nem aprender a andar de bicicleta é o que era.
Quando a maior parte das nossas séries de eleição estão em stand by (The Big Bang Theory, Modern Family, Downton Abbey) ou nalguns casos em cliffhanger (Homeland, Game of trones, Grey's Anatomy, Goodwife) nada como deixar novos vícios se instalarem...
Sob o conselho da minha little sister: Sherlock. É um espectáculo. Adoro. E para quem como eu que devorei os livros até enjoar quando andava na escola primária é delicioso, um must. O espírito não poderia ser mais fiel aos livros, pelo menos na minha opinião, mas com um modern twist.
E sob o conselho do Mr.T andamos a rir com o Happy Endings, qui ça os novos Friends. Muito bom, muito bom!
Estou de visita à ilha de sua majestade percorrendo as terras de Sir William Wallace. A minha opinião não podia ser a melhor. Tudo é verde. Absolutamente verde. Todos são muito simpáticos. A cidade é bonita, é acolhedora, é cativante e é cultural. O mar aqui tão perto. E no entanto respondendo ao exercício que sempre faço quando viajo.. Não seria capaz de viver aqui. E porquê? Frio. Em Junho andar vestida como ando em Portugal no mês de Fevereiro não é para mim. Mas adoro o verde. Adoro a pronúncia. Adoro os kilts. Adoro os tartans. Adoro o fudge. Adoro os ruivos. E muitas outras coisas que ainda estão por descobrir!
Não sou saudosista. Não tenho vontade de voltar atrás. Gosto de ver o passado assim mesmo no passado. Fui muito feliz, fui feliz, fui menos feliz. Fui. Gosto de lembrar e relembrar memórias, pequenos filmes que ficam para sempre gravados na nossa pele e que fazem de nós o que somos. Gosto sobretudo das pessoas com quem partilhei todos esses momentos. Bons e menos bons. Verdadeiros. São também elas que fazem o que eu sou hoje.
É na alegria do reencontro que tenho saudades do quanto mais simples era no passado estarmos juntos. Antes do trabalho, das paixões, de outras cidades, dos filhos e de tantas outras opções. É disso que tenho saudades.
We began as wanderers, and we are wanderers still. We have lingered long enough on the shores of the cosmic ocean. We are ready at last to set sail for the stars.
"Sempre que te apetecer criticar alguém", disse ele, "lembra-te que nem toda a gente neste mundo teve as mesmas vantagens que tu."
The Great Gatsby,
by F. Scott Fitzgerald
Nova Iorque, 1920. Eu adoro clássicos. Adoro. O Grande Gatsby é um livro despretensioso de quem observa com admiração, censura e fascínio uma sociedade fútil movida pelo brilho do dinheiro, as relações superfíciais e a ilusão das aparências. A história de um homem que ao tentar recuperar os sonhos do passado se afasta cada vez mais deles. Fico à espera de ver a grande festa que o Baz Luhrmann montou para o Gatsby.
Hoje ao ver isto percebi a saudade de estar no mar, na praia, das férias, do calor, do sol, da areia, dos gelados, dos chinelos... E é melhor ficar por aqui, porque até ao summer break ainda falta tanto tempo!
Emile: I don't really know. I think it was some sort of wrapper once.
Remy: What? No! You're in Paris now, baby! My town! No brother of mine eats rejectamenta in my town!
Ratatouille, 2007
Conversa com a minha sister enquanto decidiamos o que jantar:
Cocas: Por mim desde que seja comida cozinhada de forma decente é tudo igual.
ella: Desculpa?! Quer dizer que é tudo igual a peixe cozido com batatas?
Cocas: Não é isso, tu cozinhas com muitas mariquices.
ella: Tu partes-me o coração!
Cocas: É as sementinhas de não-sei-o-quê, as ervinhas cortadinhas, os vinagres coloridos, mais isto-e-aquilo. Fica tudo óptimo mas não tenho paciência para fazer isso. Agora quero que continues a cozinhar essas coisas quando vou lá a casa!
ella: Para a próxima levas atum directamente da lata.
Os clientes da minha cantina estão cada vez mais exigentes... Ou não?!
Com o intuito de ganharmos coragem para mais um passeio na Feira do Livro debaixo de uma calor quase infernal fomos ontem fazer uma visita à Poison d'Amour. O ambiente transporta-nos para o imaginário do filme Marie Antoinette da Sofia Coppola. E o aspecto não engana, tudo sabe tão bem quanto parece, pois os olhos também comem. Estava tudo perfeito, o chá gelado de framboesa e de limão, o mil-folhas... Mas o macaron de framboesa e recheado de framboesas é fantástico! Em duas palavras: doce veneno! Deliciem-se...
Mãe, Tenho pena, Esperei sempre que atendesses as palavras que nunca disse, e os gestos que nunca fiz, Sei hoje que apenas esperei mãe...e esperar não é suficiente. Pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que tanto me pediste, e eu nunca fui capaz de fazer... Quero pedir-te desculpa mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente... Às vezes quero dizer-te tantas coisas que não consigo, A fotografia em que estou ao teu colo, é a fotografia mais bonita que tenho. Gosto de quando estás feliz, Lê isto: MÃE AMO-TE! Eu sei que tu sabes que poderei sempre fingir que não escrevi estas palavras, Sim mãe, hei-de fingir que nunca escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não as leste. Somos assim mãe, mas eu sei, e tu sabes... José Luís Peixoto
Li este poema do José Luís Peixoto no Tapas na Língua e achei que era tal e qual assim... Decidi rouba-lo deliberadamente e partilha-lo convosco. Espero que gostem!