quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Children of Men



Children of Men de Alfonso Cuaron.
Ora aqui está um belo filme. Enfim, “belo” talvez não seja o melhor adjectivo para descvrever a filmaça. Mas é uma grande filmaça. Filme de ficção científica praticamente sem efeitos, sem sabres de luz, sem personagens feitas a computador, sem naves e mauzões vestidos de preto com vozes esquesitas. Aqui é tudo muito normal, o mundo está mal, as nações autodestroem-se, a poluição está ao rubro, os imigrantes são deportados, os políticos são cada vez mais corrompidos, etc. O pequeno toque de ficção científica está num pormenor bem grande: os humanos ficam incapacitados de se reproduzirem, as crianças deixam aos poucos de existir, a população envelhece globalmente rumo a um futuro sem futuro! A personagem principal deste futuro sem esperança é o cada vez mais admirável Clive Owen. O filme consegue criar um delicioso ambiente de opressão e desespero em torno das personagens ao jeito de um bom “survival”. A crueza das imagens de Cuaron , a representação de um mundo muito realista com problemas não menos realistas e a luta da humanidade contra a sua própria humanidade dão a este filme o impacto apropriado para sairmos da sala a pensar nele (são esses filmes que têm direito à menção "filmaça"!). E para aqueles que reduzem ficção científica a guerras no meio das estrelas, este é com certeza um bom filme para abordar o género.
PS: Também gostei de ver os curtos bons momentos de Michael Caine.

LOUIS

sábado, 4 de novembro de 2006

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

May the force be with you

Finalmente... Finalmente fez-se justiça

a milhares de fãs desta incomparável e histórica saga inter-galáctica, que encantou gerações.

yoda

É a oportunidade Lusa de poder ver ao vivo e a cores, protótipos, roupas e modelos usados nos filmes deste clássico da ficção científica.

Mais de 150 objectos, modelos originais, 2 naves, story-boards e muito mais para (re) descobrir em cerca de 2000m2 daquela que é a exposição oficial da saga inter-galáctica.

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Quem?

Quem é que não se emociona até às lágrimas
só de ouvir o "The Main Theme of Star Wars"?

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O Museu da Electricidade foi o espaço escolhido para mostrar, agora que passam trinta anos, depois de ter dado origem a seis filmes, livros, jogos e um número incalculável de merchandising, uma viagem que percorre os 12 mundos da galáxia Star Wars:

luke

Começa no mundo que viu nascer Anakin Skywalker e termina numa Sala de Projecção, após um percurso de cerca de 2 horas, com a exibição dos filmes da saga e documentários sobre o imaginário “Star Wars”.

Obrigada George Lucas!

Sem qualquer sombra de dúvida, o ex-libris desta exposição é

o AUTÊNTICO, o único, o verdadeiro e o tenebroso, provavelmente o mais temido de toda a história do cinema:

O ORIGINAL de DARTH VADER.


- WELCOME TO DARTH SIDE OF THE FORCE -

Quando é que vamos ver?

May the force be with you, young SKYWALKER...

sábado, 28 de outubro de 2006

Para uma amiga



porque por vezes o que os outros pensam ser maldade, pensam ser glaciar determinação de cometer crueldade pode ser, pode ser, pode ser
(Conta-lhe, dá-lhe um exemplo.)
pode ser não mais que amarmos sem regras, demora às vezes uma vida percebermos que o amor não tem afinal regras, pode acontecer que o inferno nos guie por vezes, e sem darmos muito por isso estamos numa busca de selva, à procura de outra coisa, de outra coisa que nem sabemos bem o que é, que simplesmente se assemelha muito ao que já tivemos e queremos preservar, às vezes cometemos erros atrás de erros atrás de erros porque não aceitamos que o encanto terminou, que ficou só terra queimada, não temos já maneira de a segurar
Mulher em Branco,
Rodrigo Guedes de Carvalho
Photo by Elliot Erwitt

domingo, 22 de outubro de 2006

Les temps sont durs pour les rêveurs.

Eva



Ma petite Amélie, vous n'avez pas des os en verre. Vous pouvez vous cogner à la vraie vie. Si vous laissez passer cette chance, alors avec le temps, c'est votre coeur qui va devenir aussi sec et cassant que mon squelette. Alors, allez-y, nom d'un chien! L'homme de Verre


Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain
J'aime bien ce filme. Um filme feliz, colorido de verde esperança e vermelho paixão. Que nos delicia a cada momento e nos deixa de sorriso nos lábios do princípio ao fim. Filmes assim sabem bem e caiem bem em qualquer altura. Mesmo para aqueles que já o viram algumas vezes, revê-lo é sempre uma surpresa. Há sempre um pormenor que nos escapou, um gesto... Foi isso que fiz esta semana, e enquanto escrevo este post acabo de ver o anúncio que daqui a alguns momentos vai passar na RTP1. Pequenas coincidências. Para os cinéfilos que gostam de bandas de sonoras... esta a cargo do talentoso homem dos 7 instrumentos, Monsieur Yann Tiersen, vale a pena ouvir. Bem francesa, com um toque tradicional mas muito jovial, leve, e feliz. Caso não conheçam a obra deste realizador, Jean-Pierre Jeunet, aconselho vivamente a verem o Delicatessen e La Cité des enfants perdus. Filmes menos alegres mas igualmente surpreendentes e repletos de diversos pormenores inventivos e imaginativos captados à sua maneira. E ao que parece o Senhor vai adaptar para o cinema, A vida de Pi, o best-seller do Yann Martel. Aguardemos espectantes portanto!


Make a Wish!

Ella

Friends


When you're in your thirties it's very hard to make a new friend. Whatever the group is that you've got now that's who you're going with. You're not interviewing, you're not looking at any new people, you're not interested in seeing any applications. They don't know the places. They don't know the food. They don't know the activitie. If I meet a guy in a club, on the gym or someplace, I'm sure you're a very nice person you seem to have a lot of potential, but we're just not hiring right now. Of course when you're a kid, you can be friends with anybody. Remember when you were a little kid, what were qualifications? If someone's in front of my house NOW, that's my friend, they're my friend. That's it. Are you a grown up? No. Great! Come on in. Jump up and down on my bed. And if you have anything in common at all, You like Cherry Soda? I like Cherry Soda! We'll be best friends!

The Boyfriend - Part 1,
Seinfeld

sábado, 21 de outubro de 2006

UH LA LA !!!


Sofia Copolla encerra, com Marie Antoinette, a sua trilogia das adolescentes. Depois de As Virgens Suicidas e Lost in Translation - O Amor é um Lugar Estranho, a cineasta apresenta-nos um teen movie épico focado na figura da rainha francesa e ícone historico.

Sofia acolhe-nos no Palácio de Versalhes para uma visita guiada ao mundo do "símbolo do declínio completo de um estilo de vida". Em Marie Antoinette é-nos apresentada a vida da malograda princesa do império austriaco que virá a casar com Luis Augusto, delfim de frança e futuro regente.

Numa abordagem claramente pop e sem se tratar de uma aula de História, vemos a evolução de Marie Antoinette ao longo dos tempos apresentada por Copolla numa vasta palete de cores coadjuvada por uma fotografia sublime e guarda roupa a condizer que acompanha a narrativa como se de uma personagem se tratasse. É impossível ficar indiferente à banda sonora, que mais uma vez surpreende pela frescura e timing perfeito para a situação, misturando inspiração barroca com notas do século XXI dignas de um pub londrino.

Kirsten Dunst interpreta, na segunda parceria com a realizadora, a mulher que se viu rainha de um império ainda teenager, rodeada por um mundo de chantilly e morangos acompanhados por taças de champagne borbulhante, vestidos e sapatos de alta costura ( ou não ;) ), diamantes e perucas extravagantes. É uma boa interpretação da actriz, experimental o suficiente como o filme necessita embora a actriz principal seja mesmo a realizadora.

Vale a pena!

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Paso Doble


Sabem, quando um menino gosta de uma menina, arranja de novo e com força a máquina de fazer os sonhos de projectar. É como cinema, afinal, de pôr os filmes mais lindos a correr da frente para trás e de trás para a frente, as vezes sem conta que o amor quiser.
À noite, sempre que se sonha a dois, há qualquer coisa de novo que recomeça. Depois, um dia, quando somos grandes, reparamos que sim, que isto foi realmente verdade. ...
Lá longe, o búzio que pousei com a minha mão, toca ainda música. É a melhor de todas que jamais ouvi, porque vem direita do céu.
Por causa disto, sou como tu feliz para sempre.

Recados do Tempo do Menino Jesus,
Pedro Strecht
Photo by Natacha Pisarenko.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Para depois não dizerem que não avisei!




Matthew Herbert
vai regressa a terras lusas para apresentar o seu mais recente trabalho já na próxima semana, Scale, dia 18 na Casa da Música (Porto) e dia 19 no Lux (Lisboa). Será que é desta que não vou perder?! I really hope so!



E como se não estivessem já marcados poucos concertos de estrelas internacionais do jazz para este Outono, Mr. Herbie Hancock acho que esta seria a altura perfeita para dar cá um saltinho. Depois de um ano em que já cá tivemos o Brad Mehldau, o Chick Corea, teremos o Keith Jarrett, só cá faltava este peso pesado do piano. O concerto está marcado para dia 16 de Novembro no Coliseu de Lisboa e para dia 18 no do Porto. E o resto grupo será: Vinnie Colaiuta (bat), Nathan East (b) e Lionel Loueke (g).

Não há carteira que aguente tanta cultura musical! Será muito chato pedir prendas de Natal antecipadas????

Ella

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

IV Fórum da Química


O IV Fórum da Química realizar-se-á nos dias 24 e 25 de Outubro de 2006, no Grande Auditório da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Ver página para mais informações.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

3 Pianos?


Eu diria três pianistas. Fui ver ontem este concerto de all-stars do piano português (isto soa mesmo "xunga") no CCB repleto de gente. Parece-me que a ideia de juntar um duo de duetos famosos é uma boa aposta mediática! Dois duetos porque o Bernardo Sassetti e o Pedro Burmester apenas tocaram juntos anteriormente em trio (isto tá a ficar bonito...). O terceiro pianista, Mário Laginha, é apresentado no programa como o elemento que liga os dois universos musicais apresentados (clássico VS jazz). O combate começou então com uma "mesa redonda" de 3 pianos com os 3 músicos a alternarem peças em trio, duo e solo. No fim de cada solo, o músico correspondente ganhava o direito de dizer umas palavrinhas ao público e depois "rodava" de piano. Uma organização digna de uma prova de atlétismo! Bem, sarcasmos à parte, é inegável o talento musical de este best-of pianístico que apresentou peças dos antigos duos com compositores desde Bach até Zeca Afonso e deles próprios (curiosamente o Burmester não trouxe nenhuma composição dele). E as peças em trio? Foram poucas. Ninguém disse que seria fácil arranjar um repertório para 3 pianos para fazer um concerto de cerca de duas horas. Mas a verdade é que torna-se um bocado frustrante ver um dos pianistas de mãos a abanar (literalmente) a maior parte do tempo. Felizmente os encores do espectáculo brindaram-nos com algumas peças a 3 bem divertidas e que nos fizeram pensar o quão bom teria sido o concerto se assim tivesse sido desde o início! Portanto achei que os 3 Pianos eram antes de mais 3 pianistas que de vez em quando conseguiram mostrar que 3 monstruosos pianos de cauda têm imensas potencialidades (o crescendo do Bolero de Ravel, que grande poder!!).
PS: Hum, não consigo deixar de pensar o que daria substituir o Burmester por um pianista de jazz e deixarem-se de tretas de alternar peças clássicas com jazz. Não tenha nada contra fusões, antes pelo contrário, mas gosto de misturas que façam realmente sentido como um todo!
PS 2: quero agradecer publicamente ao Mario Laginha que teve a brilhante ideia de fazer um livro com as partituras do seu ultimo disco e à pessoa que estava a vender discos no CCB que me deixou levar um desses livros de graça (eles eram oferecidos na compra do disco)!
PS 3: eu já tinha o disco...original, claro!

LOUIS

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Volver II


Almodóvar. Eis alguém que não nos desaponta. Vamos para lá com uma recomendação de "tens mesmo que ir ver!" e sai-se a pensar que "sim senhor, este tipo é mesmo bom". E o que dizer quando assim é? A história é uma tragico-comédia fantástica (que me recuso desde já a revelar), o elenco é perfeito, e os pormenores e a forma como os capta são divinais. Só a banda sonora não superou as espectativas. Lanço um desafio... existe outro realizador capaz de captar a essência feminina? Que me lembre e pensando um pouco, nenhum outro me ocorre. Só ele consegue filmar essa estranha aura feminina sem cair nos eternos clichés. As suas mulheres não são bonitas, são reais e por isso mesmo, lindas. Cada uma delas... é a minha avó, a minha mãe, a minha amiga... ou mesmo eu. Somos todas elas e ao mesmo tempo nenhuma delas.
Ella

Volver I


E se podesses volver por um instante apenas?


Ella

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Falsas mentiras!


Ontem fui ver um filme de terror. Daqueles classificados para maiores de 16 anos. Estranho, eu classificaria o filme para maiores de 3 anos. Assim teríamos reacções do tipo: "-papá, quem são aqueles monstros que estão a dar cabo do nosso planeta? -sou eu filho, eu e a tua mãe, a tua família, os teus amigos e os meus, somos todos monstros e estamos a acabar com o mundo! -aiiiiii, pai, fiz chichi nas calças....." bom, talvez para maiores de 6. Fui ver An Incovenient Truth. Estava melancolicamente à espera de um filme documentário choque típico à la Michael Moore, sem o carisma deste e com um sujeito que "costumava ser o próximo presidente do EUA" (Al Gore) à procura de alguma atenção mediática sobre o assunto morno do Aquecimento Global. Descobri que o tal ex-não-presidente é militante deste assunto desde a sua tenra idade, que faz desde muito uma campanha de informação por todo o mundo, apoiado em factos científicos e catástrofes naturais. Descobri que o Aquecimento Global é afinal um assunto muito quente e a precisar de urgente atenção (consequências muito graves daqui a 10 anos). Descobri que é impossível ficar insensível aos factos não científicos que ocorrem por todo o mundo e mesmo à nossa volta (viram a praia da Foz este ano? E a neve nas Caldas? E os fogos?) Descobri que uma vontade geral e uma motivação política podem resolver isto tudo. Descobri que deve partir de nós, individualmente.
E depois disto, vou desde já começar a minha própria campanha anti Aquecimento Global. Passo 1: Vão ver o filme!!! É muito angustiante e esclarecedor. Vão mesmo ver. Mesmo!
link: www.climatecrisis.net Mesmo!!!!!

LOUIS defensor da Terra!

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Felizes Acasos


Quando à exactamente 26 anos decidiste nascer, eu ainda crescia calmamente na barriga da minha mamã. Quando quase 3 meses depois me obrigaram a abandonar o conforto do lar materno, tu já fazias as delícias da famille. E ninguém na altura poderia supor que duas crianças separadas por cerca de 1800 Km poderiam alguma vez se encontrar. Mas a vida tem muitas estradas, e a que te trouxe até mim foi abensoada por outra história de amor. A prova mais que provada que Amor gera Amor. Quiçá um dia, também a nossa gere outras histórias de amor. Parabéns meu amor! E se este post parecer piroso... meus queridos... "Todas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas." (Fernando Pessoa)
Ella

domingo, 24 de setembro de 2006

Sleepover


Antes ela aninhava-se em mim, pegava no chico pelas orelhas, pedia-me sempre a mesma história e chucháva no dedo. Hoje, já não se aninha em mim, o chico está velho, já não chucha no dedo e nem me pede uma história. Hoje ficamos acordadas em longas conversas. Revejo a menina que fui na menina que ela é. Nos seus problemas, nas suas dúvidas e na sua alegria. Tento mostrar-lhe o mundo sem tabus, para que possa escolher em consciência os seus princípios e estar preparada. Fico feliz com as minhas mulherzinhas. Por serem mulheres. Por serem fortes. Por serem meninas.
Ella

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Futuro?



Dory: ... Everything's gonna be all rigth!
Martin: How do you know? How do you know something bad isn't gonna happen?
Dory: I don't!

Finding Nemo

Acabou. Hoje são os primeiros passos num novo ciclo. Primeiro no escuro, agora o sol já despertou e os primeiros raios atordoam os sentidos. A angústia do incerto. A angústia de andar sem saber onde colocamos os pés e de quem vai descobrindo o seu caminho aos poucos. A falta daquela mão que nos acaríciava a cabeça e dizia... vai correr tudo bem! Mesmo que não corresse, sentia-se a segurança de podermos errar porque a rede estava por baixo de nós. Será que ainda lá está? Talvez a angústia seja essa incerteza. Não é o medo do futuro, é o peso, a obrigação de nos realizarmos. As esperanças que depositam em nós. A vontade de existirmos. De fazermos. De sermos. E ao fundo a paz do que passou. A certeza de que não estamos sozinhos. E o conforto de sabermos que podemos recomeçar.


Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas, como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo
Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar

Como Uma Onda,
Lulu Santos.
Photo Micas "rolling".
Ella

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

The Pillowman

Numa palavra... BRUTAL! Não encontro outra forma de descrever esta peça. A premissa é simples, "num regime totalitário um escritor é interrogado acerca do conteúdo grotesco dos seus contos e das suas semelhanças com uma série de homicídios infantis que estão a acontecer na sua cidade." E a simplicidade acaba aqui. Um texto de um densidade e complexidade psicológica tal que nos deixa desconcertados. De modo que nem consigo escrever pois tudo me soa demasiadamente redutor. E talvez o mais importante não seja apenas a história em si, mas todas as perguntas que vão surgindo. Poderá um artista ser responsável pelo que as suas obras provocam nos outros? Poderão as vivências da infância ser desculpa para o adulto em que nos tornamos? As histórias de Katurian são macabras (o Tim Burton faria um bom filme disto!), arrepiam e cortam a respiração, mas o que está para além das histórias é de uma grande humanidade. Pillowman é personagem de uma dessas histórias,"um herói" simpático, "feito de almofadas que encoraja crianças a suicidarem-se para não terem que viver vidas terríveis." Estranho e dolorosamente reconfortante saber que as crianças poderiam fugir a um sofrimento maior e que não morriam sozinhas, mas segurando a mão deste fofo e sorridente ser. Enfim, vão querer rir, mas também vão querer chorar.
A peça é da autoria do dramaturgo britânico Martin McDonagh, e foi a estreia nas lides da encenação do realizador Tiago Guedes (Coisa Ruim). Os actores foram escolhidos a dedo, e as personagens assentam-lhes como uma luva. Enfim... nada a criticar. A não ser o nó no estômago com que se saí da peça. Adorei. Ficam duas palavras... não percam!

The Pillowman - O Homem Almofada
Teatro Maria Matos até 15 de Outubro
Encenação: Tiago Guedes.
Interpretação: Albano Jerónimo, Gonçalo Waddington, João Pedro Vaz, Marco D'Almeida.

Ella

sábado, 16 de setembro de 2006

Concertos para todos os gostos!


Como não há fome que não dê fartura este ano vamos ter muitas visitas interessantes... façam as vossas escolhas e bons concertos! Até jazzzzzzzzz...

Chick Corea & Gary Burton, "Duets"
22 de Set. no Coliseu de Lisboa
23 de Set. na Casa da Música no Porto

Bernardo Sassetti, Mário Laginha & Pedro Burmester, "Os três pianos "
4 e 5 de Out. no CCB em Lisboa

Dave Douglas Quintet, "Meaning and Mystery"
29 de Out. na Casa da Música no Porto

João Bosco & Gonzalo Rubalcaba
com Ney Conceição (b), Kiko Freitas (bat)
5 de Nov. no CCB em Lisboa

Wayne Shorter Quartet
com Danilo Perez, (p), John Patitucci (ctb), Brian Blade (bat)
8 de Nov. no Guimarães Jazz
9 de Nov. na Culturgest em Lisboa

Marc Ribot, "Spiritual Unity"
9 de Nov. na Casa da Música no Porto

Patricia Barber, "Mythologies"
11 de Nov. no Teatro Circo em Braga
12 de Nov. na Aula Magna em Lisboa

Abdulah Ibrahim Trio
com Belden Bullock (b),George Gray (bat)
11 de Nov. no Guimarães Jazz

Keith Jarrett Trio, "Standards"
com Jack DeJohnette (bat), Gary Peacock (ctb)
12 de Nov. no CCB em Lisboa

Andrew Hill Sextet
com Byron Wallen (t), Jason Yarde (sa), Denys Baptiste (st), John Herbert (ctb), Eric McPherson (bat)
16 de Nov. no Guimarães Jazz
26 de Nov. na Culturgest em Lisboa

Richard Galliano, "Piazzolla Forever"
com Hervé Sellin (p), Jean-Marc Philips (v), Sébastien Surel (v), Jean-Marc Apap (v-alto), Henri Demarquette (vcelo), Stéphane Logerot (ctb)
17 de Nov. no CCB em Lisboa

Charlie Haden Liberation Music Orchestra
com Carla Bley (p), Miguel Zenon (sa), Matt Wilson (bat), Michael Rodriguez (t), Tony Malaby (st), Curtis Fowlkes (trb), Seneca Black (t), Steve Cardenas (g), Vincent Chancey (trompa), Chris Cheek (st), Joe Daley (tub)
18 de Nov. no Guimarães Jazz

Madeleine Peyroux
18 de Nov. no CCB em Lisboa

Maria Schneider Orchestra "250 anos Mozart"
7 de Dez. no CCB em Lisboa


Digam lá se não é dificil escolher?!

Ella

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

A Última das Românticas

(que é como quem diz O Último Romântico com as alterações deliberadas!)


Só falta abandonar a velha escola
Tomar o mundo feito Coca-Cola
Fazer da minha vida
Sempre o meu passeio público
E ao mesmo tempo fazer dela
O meu caminho só, único

Talvez eu seja a última romântica
Dos litorais desse Oceano Atlântico
Só falta reunir a Zona Norte à Zona Sul
Iluminar a vida, já que a morte cai do azul

Só falta te querer
Te ganhar e te perder
Falta eu acordar
Ser gente grande pra poder chorar

Me dá um beijo, então
Aperta a minha mão
Tolice é viver a vida assim
Sem aventura
Deixa ser, pelo coração
Se é loucura, então
Melhor não ter razão!

Sérgio Souza, Lulu Santos e Antônio Cícero
Photo by Ella.

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

From overseas







Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Mensagem,
Fernando Pessoa.

Photos by Louis.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

A Ilha

Tudo começa com os preparativos mais ou menos à pressa com aquela ansiedade que surge quando se vai viajar, mesmo que sejam pouco mais de 40 km. A verdade é que nem era suposto ir, mas mediante um convite para A rever, é impossível resisitir. Compra-se o bilhete para a traineira que sempre fiel nos espera para nos levar para o lado de lá e logo surgem notícias alarmantes de uma praga de nuvens de melgas sanguessugas vampirescas trazidas pelo levante da semana anterior. "Eu sabia que nao devia ter deixado o repelente em casa, doh!"

A companhia é um misto de amigos da ilha desde sempre e de amantes tardios que é o meu caso. Desde que lá fui pela primeira vez, resolvi voltar, sem saber como ou quando.

Passado o canal da formosa, esquece-se tudo o que ficou para trás. Carros, bulício citadino, gente mal disposta. Ali volta-se às origens de chinelo no pé.

À chegada ao parque confirma-se. As P#$&% das melgas estão a atacar como nunca e o repelente no móvel da casa de banho. Tá-se bem e welcome to the jungle. Outra praga que se vem alastrando são nuestros hermanos (É a globalização estupido!) mas ao contrário do que é costume, ali também eles adquirem o ritmo insular e falam mais baixo que o normal respeitando o silêncio que é marca deste areal interminável.

Numa altura de tecnologia tembém lá se nota a chegada do século XXI com a proliferação de tendas que se montam em 2 ou 3 segundos (se ao menos eu tivesse tido esta ideia...). Nós, campistas desde sempre e à antiga ainda não cedemos a essas modernices e montamos a nossa em 5, só pa chatear. Em menos de nada estamos a dar um mergulho no sítio onde o mar é mais transparente, a água mais quente e o sol nos abraça como em lado nenhum.

Os dias na Ilha de Tavira passam mais devagar (e isso é bom!) e quando damos por nós já passou mais um. Aquela rotina rotineira dos dias sem fim em que não há nada para fazer excepto torrar ao sol, banhos sem fim, fazer umas pescarias ou ver o barco a chegar são deliciosos e merecedores de serem aproveitados com a simplicidade que a Ilha nos apresenta.


As noites por seu lado, passam tão depressa quanto a bela da imperial demora a escorregar numa garganta seca em Agosto. Não há nada como a arte de esplanar com os pés na areia, em que as conversas vão surgindo ao ritmo das ondas do mar com o som dos batuques ao fundo e as estrelas brilham mais do que em qualquer outro sítio.

Como despedida, só mesmo um concerto good vibe à beira mar com a companhia daquela outra fauna da Ilha, o pessoal do sábado à noite com as suas geleiras cheias de cerveja, sacos cama salgados, e claro, em câmara lenta como na tv.

Recomendo a todos este hotel de 1000 estrelas, único e inolvidável.

Como dizia o outro: "THIS IS MY ISLAND" . Até pró ano!

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos...




Não há nada melhor que uns dias de férias para recarregar baterias e descansar os olhos num horizonte um pouco mais distante.



Espero que os nossos trilhos se voltem a cruzar em breve.
Boas férias a todos!

Vamos de férias!


Estamos algures por aqui... ou não!

LOUIS e ELLA

domingo, 13 de agosto de 2006

Deliciosos dias



Na vida temos duas famílias, a que nos calha em sorte pela força do sangue e aquela que vamos construindo enquanto crescemos - os amigos. As horas passam a correr entre o que tem de ser feito e o que gostamos de fazer, e quando damos conta esgotámos os minutos de mais um dia. Nas férias enganamos o relógio, ou guardamos o dito dentro da gaveta da mesa de cabeceira, e o tempo é nosso ao sabor dos dias. Tem sido assim. Dias de reencontros. Uma mesa cheia, cheia de vida. Os melhores amigos, as deliciosas iguarias, as palavras que saltam de boca em boca em longas conversas, os sorrisos rasgados, as pequenas cumplicidades... as fresquíssimas caipirinhas... Dias em que sentimos que tudo está no sítio certo e exactamente como devia de ser. Sem dúvida dias felizes.

Photo and words by Ella.