sábado, 21 de outubro de 2006

UH LA LA !!!


Sofia Copolla encerra, com Marie Antoinette, a sua trilogia das adolescentes. Depois de As Virgens Suicidas e Lost in Translation - O Amor é um Lugar Estranho, a cineasta apresenta-nos um teen movie épico focado na figura da rainha francesa e ícone historico.

Sofia acolhe-nos no Palácio de Versalhes para uma visita guiada ao mundo do "símbolo do declínio completo de um estilo de vida". Em Marie Antoinette é-nos apresentada a vida da malograda princesa do império austriaco que virá a casar com Luis Augusto, delfim de frança e futuro regente.

Numa abordagem claramente pop e sem se tratar de uma aula de História, vemos a evolução de Marie Antoinette ao longo dos tempos apresentada por Copolla numa vasta palete de cores coadjuvada por uma fotografia sublime e guarda roupa a condizer que acompanha a narrativa como se de uma personagem se tratasse. É impossível ficar indiferente à banda sonora, que mais uma vez surpreende pela frescura e timing perfeito para a situação, misturando inspiração barroca com notas do século XXI dignas de um pub londrino.

Kirsten Dunst interpreta, na segunda parceria com a realizadora, a mulher que se viu rainha de um império ainda teenager, rodeada por um mundo de chantilly e morangos acompanhados por taças de champagne borbulhante, vestidos e sapatos de alta costura ( ou não ;) ), diamantes e perucas extravagantes. É uma boa interpretação da actriz, experimental o suficiente como o filme necessita embora a actriz principal seja mesmo a realizadora.

Vale a pena!

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Paso Doble


Sabem, quando um menino gosta de uma menina, arranja de novo e com força a máquina de fazer os sonhos de projectar. É como cinema, afinal, de pôr os filmes mais lindos a correr da frente para trás e de trás para a frente, as vezes sem conta que o amor quiser.
À noite, sempre que se sonha a dois, há qualquer coisa de novo que recomeça. Depois, um dia, quando somos grandes, reparamos que sim, que isto foi realmente verdade. ...
Lá longe, o búzio que pousei com a minha mão, toca ainda música. É a melhor de todas que jamais ouvi, porque vem direita do céu.
Por causa disto, sou como tu feliz para sempre.

Recados do Tempo do Menino Jesus,
Pedro Strecht
Photo by Natacha Pisarenko.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Para depois não dizerem que não avisei!




Matthew Herbert
vai regressa a terras lusas para apresentar o seu mais recente trabalho já na próxima semana, Scale, dia 18 na Casa da Música (Porto) e dia 19 no Lux (Lisboa). Será que é desta que não vou perder?! I really hope so!



E como se não estivessem já marcados poucos concertos de estrelas internacionais do jazz para este Outono, Mr. Herbie Hancock acho que esta seria a altura perfeita para dar cá um saltinho. Depois de um ano em que já cá tivemos o Brad Mehldau, o Chick Corea, teremos o Keith Jarrett, só cá faltava este peso pesado do piano. O concerto está marcado para dia 16 de Novembro no Coliseu de Lisboa e para dia 18 no do Porto. E o resto grupo será: Vinnie Colaiuta (bat), Nathan East (b) e Lionel Loueke (g).

Não há carteira que aguente tanta cultura musical! Será muito chato pedir prendas de Natal antecipadas????

Ella

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

IV Fórum da Química


O IV Fórum da Química realizar-se-á nos dias 24 e 25 de Outubro de 2006, no Grande Auditório da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Ver página para mais informações.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

3 Pianos?


Eu diria três pianistas. Fui ver ontem este concerto de all-stars do piano português (isto soa mesmo "xunga") no CCB repleto de gente. Parece-me que a ideia de juntar um duo de duetos famosos é uma boa aposta mediática! Dois duetos porque o Bernardo Sassetti e o Pedro Burmester apenas tocaram juntos anteriormente em trio (isto tá a ficar bonito...). O terceiro pianista, Mário Laginha, é apresentado no programa como o elemento que liga os dois universos musicais apresentados (clássico VS jazz). O combate começou então com uma "mesa redonda" de 3 pianos com os 3 músicos a alternarem peças em trio, duo e solo. No fim de cada solo, o músico correspondente ganhava o direito de dizer umas palavrinhas ao público e depois "rodava" de piano. Uma organização digna de uma prova de atlétismo! Bem, sarcasmos à parte, é inegável o talento musical de este best-of pianístico que apresentou peças dos antigos duos com compositores desde Bach até Zeca Afonso e deles próprios (curiosamente o Burmester não trouxe nenhuma composição dele). E as peças em trio? Foram poucas. Ninguém disse que seria fácil arranjar um repertório para 3 pianos para fazer um concerto de cerca de duas horas. Mas a verdade é que torna-se um bocado frustrante ver um dos pianistas de mãos a abanar (literalmente) a maior parte do tempo. Felizmente os encores do espectáculo brindaram-nos com algumas peças a 3 bem divertidas e que nos fizeram pensar o quão bom teria sido o concerto se assim tivesse sido desde o início! Portanto achei que os 3 Pianos eram antes de mais 3 pianistas que de vez em quando conseguiram mostrar que 3 monstruosos pianos de cauda têm imensas potencialidades (o crescendo do Bolero de Ravel, que grande poder!!).
PS: Hum, não consigo deixar de pensar o que daria substituir o Burmester por um pianista de jazz e deixarem-se de tretas de alternar peças clássicas com jazz. Não tenha nada contra fusões, antes pelo contrário, mas gosto de misturas que façam realmente sentido como um todo!
PS 2: quero agradecer publicamente ao Mario Laginha que teve a brilhante ideia de fazer um livro com as partituras do seu ultimo disco e à pessoa que estava a vender discos no CCB que me deixou levar um desses livros de graça (eles eram oferecidos na compra do disco)!
PS 3: eu já tinha o disco...original, claro!

LOUIS

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Volver II


Almodóvar. Eis alguém que não nos desaponta. Vamos para lá com uma recomendação de "tens mesmo que ir ver!" e sai-se a pensar que "sim senhor, este tipo é mesmo bom". E o que dizer quando assim é? A história é uma tragico-comédia fantástica (que me recuso desde já a revelar), o elenco é perfeito, e os pormenores e a forma como os capta são divinais. Só a banda sonora não superou as espectativas. Lanço um desafio... existe outro realizador capaz de captar a essência feminina? Que me lembre e pensando um pouco, nenhum outro me ocorre. Só ele consegue filmar essa estranha aura feminina sem cair nos eternos clichés. As suas mulheres não são bonitas, são reais e por isso mesmo, lindas. Cada uma delas... é a minha avó, a minha mãe, a minha amiga... ou mesmo eu. Somos todas elas e ao mesmo tempo nenhuma delas.
Ella

Volver I


E se podesses volver por um instante apenas?


Ella

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Falsas mentiras!


Ontem fui ver um filme de terror. Daqueles classificados para maiores de 16 anos. Estranho, eu classificaria o filme para maiores de 3 anos. Assim teríamos reacções do tipo: "-papá, quem são aqueles monstros que estão a dar cabo do nosso planeta? -sou eu filho, eu e a tua mãe, a tua família, os teus amigos e os meus, somos todos monstros e estamos a acabar com o mundo! -aiiiiii, pai, fiz chichi nas calças....." bom, talvez para maiores de 6. Fui ver An Incovenient Truth. Estava melancolicamente à espera de um filme documentário choque típico à la Michael Moore, sem o carisma deste e com um sujeito que "costumava ser o próximo presidente do EUA" (Al Gore) à procura de alguma atenção mediática sobre o assunto morno do Aquecimento Global. Descobri que o tal ex-não-presidente é militante deste assunto desde a sua tenra idade, que faz desde muito uma campanha de informação por todo o mundo, apoiado em factos científicos e catástrofes naturais. Descobri que o Aquecimento Global é afinal um assunto muito quente e a precisar de urgente atenção (consequências muito graves daqui a 10 anos). Descobri que é impossível ficar insensível aos factos não científicos que ocorrem por todo o mundo e mesmo à nossa volta (viram a praia da Foz este ano? E a neve nas Caldas? E os fogos?) Descobri que uma vontade geral e uma motivação política podem resolver isto tudo. Descobri que deve partir de nós, individualmente.
E depois disto, vou desde já começar a minha própria campanha anti Aquecimento Global. Passo 1: Vão ver o filme!!! É muito angustiante e esclarecedor. Vão mesmo ver. Mesmo!
link: www.climatecrisis.net Mesmo!!!!!

LOUIS defensor da Terra!

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Felizes Acasos


Quando à exactamente 26 anos decidiste nascer, eu ainda crescia calmamente na barriga da minha mamã. Quando quase 3 meses depois me obrigaram a abandonar o conforto do lar materno, tu já fazias as delícias da famille. E ninguém na altura poderia supor que duas crianças separadas por cerca de 1800 Km poderiam alguma vez se encontrar. Mas a vida tem muitas estradas, e a que te trouxe até mim foi abensoada por outra história de amor. A prova mais que provada que Amor gera Amor. Quiçá um dia, também a nossa gere outras histórias de amor. Parabéns meu amor! E se este post parecer piroso... meus queridos... "Todas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas." (Fernando Pessoa)
Ella

domingo, 24 de setembro de 2006

Sleepover


Antes ela aninhava-se em mim, pegava no chico pelas orelhas, pedia-me sempre a mesma história e chucháva no dedo. Hoje, já não se aninha em mim, o chico está velho, já não chucha no dedo e nem me pede uma história. Hoje ficamos acordadas em longas conversas. Revejo a menina que fui na menina que ela é. Nos seus problemas, nas suas dúvidas e na sua alegria. Tento mostrar-lhe o mundo sem tabus, para que possa escolher em consciência os seus princípios e estar preparada. Fico feliz com as minhas mulherzinhas. Por serem mulheres. Por serem fortes. Por serem meninas.
Ella

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Futuro?



Dory: ... Everything's gonna be all rigth!
Martin: How do you know? How do you know something bad isn't gonna happen?
Dory: I don't!

Finding Nemo

Acabou. Hoje são os primeiros passos num novo ciclo. Primeiro no escuro, agora o sol já despertou e os primeiros raios atordoam os sentidos. A angústia do incerto. A angústia de andar sem saber onde colocamos os pés e de quem vai descobrindo o seu caminho aos poucos. A falta daquela mão que nos acaríciava a cabeça e dizia... vai correr tudo bem! Mesmo que não corresse, sentia-se a segurança de podermos errar porque a rede estava por baixo de nós. Será que ainda lá está? Talvez a angústia seja essa incerteza. Não é o medo do futuro, é o peso, a obrigação de nos realizarmos. As esperanças que depositam em nós. A vontade de existirmos. De fazermos. De sermos. E ao fundo a paz do que passou. A certeza de que não estamos sozinhos. E o conforto de sabermos que podemos recomeçar.


Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas, como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo
Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar

Como Uma Onda,
Lulu Santos.
Photo Micas "rolling".
Ella

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

The Pillowman

Numa palavra... BRUTAL! Não encontro outra forma de descrever esta peça. A premissa é simples, "num regime totalitário um escritor é interrogado acerca do conteúdo grotesco dos seus contos e das suas semelhanças com uma série de homicídios infantis que estão a acontecer na sua cidade." E a simplicidade acaba aqui. Um texto de um densidade e complexidade psicológica tal que nos deixa desconcertados. De modo que nem consigo escrever pois tudo me soa demasiadamente redutor. E talvez o mais importante não seja apenas a história em si, mas todas as perguntas que vão surgindo. Poderá um artista ser responsável pelo que as suas obras provocam nos outros? Poderão as vivências da infância ser desculpa para o adulto em que nos tornamos? As histórias de Katurian são macabras (o Tim Burton faria um bom filme disto!), arrepiam e cortam a respiração, mas o que está para além das histórias é de uma grande humanidade. Pillowman é personagem de uma dessas histórias,"um herói" simpático, "feito de almofadas que encoraja crianças a suicidarem-se para não terem que viver vidas terríveis." Estranho e dolorosamente reconfortante saber que as crianças poderiam fugir a um sofrimento maior e que não morriam sozinhas, mas segurando a mão deste fofo e sorridente ser. Enfim, vão querer rir, mas também vão querer chorar.
A peça é da autoria do dramaturgo britânico Martin McDonagh, e foi a estreia nas lides da encenação do realizador Tiago Guedes (Coisa Ruim). Os actores foram escolhidos a dedo, e as personagens assentam-lhes como uma luva. Enfim... nada a criticar. A não ser o nó no estômago com que se saí da peça. Adorei. Ficam duas palavras... não percam!

The Pillowman - O Homem Almofada
Teatro Maria Matos até 15 de Outubro
Encenação: Tiago Guedes.
Interpretação: Albano Jerónimo, Gonçalo Waddington, João Pedro Vaz, Marco D'Almeida.

Ella

sábado, 16 de setembro de 2006

Concertos para todos os gostos!


Como não há fome que não dê fartura este ano vamos ter muitas visitas interessantes... façam as vossas escolhas e bons concertos! Até jazzzzzzzzz...

Chick Corea & Gary Burton, "Duets"
22 de Set. no Coliseu de Lisboa
23 de Set. na Casa da Música no Porto

Bernardo Sassetti, Mário Laginha & Pedro Burmester, "Os três pianos "
4 e 5 de Out. no CCB em Lisboa

Dave Douglas Quintet, "Meaning and Mystery"
29 de Out. na Casa da Música no Porto

João Bosco & Gonzalo Rubalcaba
com Ney Conceição (b), Kiko Freitas (bat)
5 de Nov. no CCB em Lisboa

Wayne Shorter Quartet
com Danilo Perez, (p), John Patitucci (ctb), Brian Blade (bat)
8 de Nov. no Guimarães Jazz
9 de Nov. na Culturgest em Lisboa

Marc Ribot, "Spiritual Unity"
9 de Nov. na Casa da Música no Porto

Patricia Barber, "Mythologies"
11 de Nov. no Teatro Circo em Braga
12 de Nov. na Aula Magna em Lisboa

Abdulah Ibrahim Trio
com Belden Bullock (b),George Gray (bat)
11 de Nov. no Guimarães Jazz

Keith Jarrett Trio, "Standards"
com Jack DeJohnette (bat), Gary Peacock (ctb)
12 de Nov. no CCB em Lisboa

Andrew Hill Sextet
com Byron Wallen (t), Jason Yarde (sa), Denys Baptiste (st), John Herbert (ctb), Eric McPherson (bat)
16 de Nov. no Guimarães Jazz
26 de Nov. na Culturgest em Lisboa

Richard Galliano, "Piazzolla Forever"
com Hervé Sellin (p), Jean-Marc Philips (v), Sébastien Surel (v), Jean-Marc Apap (v-alto), Henri Demarquette (vcelo), Stéphane Logerot (ctb)
17 de Nov. no CCB em Lisboa

Charlie Haden Liberation Music Orchestra
com Carla Bley (p), Miguel Zenon (sa), Matt Wilson (bat), Michael Rodriguez (t), Tony Malaby (st), Curtis Fowlkes (trb), Seneca Black (t), Steve Cardenas (g), Vincent Chancey (trompa), Chris Cheek (st), Joe Daley (tub)
18 de Nov. no Guimarães Jazz

Madeleine Peyroux
18 de Nov. no CCB em Lisboa

Maria Schneider Orchestra "250 anos Mozart"
7 de Dez. no CCB em Lisboa


Digam lá se não é dificil escolher?!

Ella

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

A Última das Românticas

(que é como quem diz O Último Romântico com as alterações deliberadas!)


Só falta abandonar a velha escola
Tomar o mundo feito Coca-Cola
Fazer da minha vida
Sempre o meu passeio público
E ao mesmo tempo fazer dela
O meu caminho só, único

Talvez eu seja a última romântica
Dos litorais desse Oceano Atlântico
Só falta reunir a Zona Norte à Zona Sul
Iluminar a vida, já que a morte cai do azul

Só falta te querer
Te ganhar e te perder
Falta eu acordar
Ser gente grande pra poder chorar

Me dá um beijo, então
Aperta a minha mão
Tolice é viver a vida assim
Sem aventura
Deixa ser, pelo coração
Se é loucura, então
Melhor não ter razão!

Sérgio Souza, Lulu Santos e Antônio Cícero
Photo by Ella.

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

From overseas







Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Mensagem,
Fernando Pessoa.

Photos by Louis.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

A Ilha

Tudo começa com os preparativos mais ou menos à pressa com aquela ansiedade que surge quando se vai viajar, mesmo que sejam pouco mais de 40 km. A verdade é que nem era suposto ir, mas mediante um convite para A rever, é impossível resisitir. Compra-se o bilhete para a traineira que sempre fiel nos espera para nos levar para o lado de lá e logo surgem notícias alarmantes de uma praga de nuvens de melgas sanguessugas vampirescas trazidas pelo levante da semana anterior. "Eu sabia que nao devia ter deixado o repelente em casa, doh!"

A companhia é um misto de amigos da ilha desde sempre e de amantes tardios que é o meu caso. Desde que lá fui pela primeira vez, resolvi voltar, sem saber como ou quando.

Passado o canal da formosa, esquece-se tudo o que ficou para trás. Carros, bulício citadino, gente mal disposta. Ali volta-se às origens de chinelo no pé.

À chegada ao parque confirma-se. As P#$&% das melgas estão a atacar como nunca e o repelente no móvel da casa de banho. Tá-se bem e welcome to the jungle. Outra praga que se vem alastrando são nuestros hermanos (É a globalização estupido!) mas ao contrário do que é costume, ali também eles adquirem o ritmo insular e falam mais baixo que o normal respeitando o silêncio que é marca deste areal interminável.

Numa altura de tecnologia tembém lá se nota a chegada do século XXI com a proliferação de tendas que se montam em 2 ou 3 segundos (se ao menos eu tivesse tido esta ideia...). Nós, campistas desde sempre e à antiga ainda não cedemos a essas modernices e montamos a nossa em 5, só pa chatear. Em menos de nada estamos a dar um mergulho no sítio onde o mar é mais transparente, a água mais quente e o sol nos abraça como em lado nenhum.

Os dias na Ilha de Tavira passam mais devagar (e isso é bom!) e quando damos por nós já passou mais um. Aquela rotina rotineira dos dias sem fim em que não há nada para fazer excepto torrar ao sol, banhos sem fim, fazer umas pescarias ou ver o barco a chegar são deliciosos e merecedores de serem aproveitados com a simplicidade que a Ilha nos apresenta.


As noites por seu lado, passam tão depressa quanto a bela da imperial demora a escorregar numa garganta seca em Agosto. Não há nada como a arte de esplanar com os pés na areia, em que as conversas vão surgindo ao ritmo das ondas do mar com o som dos batuques ao fundo e as estrelas brilham mais do que em qualquer outro sítio.

Como despedida, só mesmo um concerto good vibe à beira mar com a companhia daquela outra fauna da Ilha, o pessoal do sábado à noite com as suas geleiras cheias de cerveja, sacos cama salgados, e claro, em câmara lenta como na tv.

Recomendo a todos este hotel de 1000 estrelas, único e inolvidável.

Como dizia o outro: "THIS IS MY ISLAND" . Até pró ano!

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos...




Não há nada melhor que uns dias de férias para recarregar baterias e descansar os olhos num horizonte um pouco mais distante.



Espero que os nossos trilhos se voltem a cruzar em breve.
Boas férias a todos!

Vamos de férias!


Estamos algures por aqui... ou não!

LOUIS e ELLA

domingo, 13 de agosto de 2006

Deliciosos dias



Na vida temos duas famílias, a que nos calha em sorte pela força do sangue e aquela que vamos construindo enquanto crescemos - os amigos. As horas passam a correr entre o que tem de ser feito e o que gostamos de fazer, e quando damos conta esgotámos os minutos de mais um dia. Nas férias enganamos o relógio, ou guardamos o dito dentro da gaveta da mesa de cabeceira, e o tempo é nosso ao sabor dos dias. Tem sido assim. Dias de reencontros. Uma mesa cheia, cheia de vida. Os melhores amigos, as deliciosas iguarias, as palavras que saltam de boca em boca em longas conversas, os sorrisos rasgados, as pequenas cumplicidades... as fresquíssimas caipirinhas... Dias em que sentimos que tudo está no sítio certo e exactamente como devia de ser. Sem dúvida dias felizes.

Photo and words by Ella.

Camembert Surpresa!



Aqui fica mais uma saborosa sugestão culinária para cheese lovers. Esta foi recolhida da Cooking e testada por verdadeiros gourmets ontem. Resultado: passou à primeira com distinção. Bem fácil, bem rápida. Cá vai...

1 Camembert
1 pacote de massa folhada pronta

Estender a massa folhada conforme as instruções do pacote e picá-la com um garfo. Colocar o queijo no centro do circulo da massa folhada e embrolha-lo com a mesma. Colocar o embrulho num tabuleiro com papel vegetal e levá-lo ao forno (já aquecido) até a massa ficar douradinha (cerca de 20 min). Servir com doce ou mel.

Photo by Ella.

sábado, 12 de agosto de 2006

Animais de estimação


Porque precisamos deles? Ficam doentes, por vezes mordem, fazem necessidades onde não devem, retraçam chinelos e bolas de futebol, deitam pelo por tudo o que é sítio, comem toneladas de croquetes caríssimos, cheiram mal, ladram, miam (etc) desalmadamente toda a noite, cheiram rabos, ficam com cio ou então correm atrás de fêmeas como uns loucos…pensando melhor são muito parecidos com os Homens. Mas, mais importante que isso, são de estimação porque são fofos!

LOUIS (sim, tenho um cão!)

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Enternecer ao entardecer


He whose head is in love's shade
Beneath his feet will be paradise
He whose head is in love's shade

Letra da música de Bollywood "Chaiyya Chaiyya", transformada num hit pela banda sonora do filme de The Inside Man de Spike Lee.

Photo by Ella.

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

E a menina dança?

Ontem foi a nossa estreia no Andanças, naquela que foi 11ª edição deste festival de danças tradicionais, que se realiza anualmente em Agosto em Carvalhais na região de São Pedro do Sul.

A dança, a música, o pó e claro... os amigos!







Photos by Ella.

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Procuro-me onde sempre me encontro... junto ao MAR!



Há muito que deixei aquela praia
De grandes areais e grandes vagas
Mas sou eu ainda quem na brisa respira
E é por mim que espera cintilando a maré vasa
Há muito

O mar azul e branco e as luzidias
Pedras – O arfado espaço
Onde o que está lavado se relava
Para o rito do espanto e do começo
Onde sou a mim mesma devolvida
Em sal espuma e concha regressada
À praia inicial da minha vida.
Inicial

Sophia de Mello Breyner Andresen

Photo by Ella.

terça-feira, 18 de julho de 2006

Dias Felizes... Dias Tristes...



Li algures que segundo um estudo realizado pela New Economics Foundation (uma ONG Inglesa), Portugal é o 136º país mais feliz do mundo dos 178 estudados. Ao que parece o país mais feliz do mundo é o Vanuatu, arquipélago de 83 ilhas no Pacifico, onde já se realizou o programa Survivor. Pelas fotos acho que dá para perceber a felicidade de viver lá! Voltando ao Happy People Index (HPI), este é calculado de forma a incorporar 3 indicadores: "ecological footprint", "life-satisfaction" e esperança de vida. "The HPI reflects the average years of happy life produced by a given society, nation or group of nations, per unit of planetary resources consumed. Put in another way, it represents the efficiency with which countries convert the earth’s finite resources into well-being experienced by their citizens." Para quem estiver interessado em saber mais, dirija-se aqui... E para quem quiser calcular o seu próprio HPI, dirija-se aqui. Good Luck! Eu neste momento dispenso, acho que vou dar um pulo até ao Vanuato, pode ser que as coisas melhorem! Alguém sabe onde compro o bilhete??
Ella

PS... as fotos são um escape para todos aqueles que como eu não podem fugir! Ainda por cima parece ser um paraíso para o mergulho, acho que era capaz de ser feliz... e vocês... não?!
PSS... porque será que me veio à cabeça este fado??

Fado - palavra que vem do latim fatum, ou seja, "destino". De origem obscura, terá surgido provavelmente na primeira metade do século XIX.

Ó Gente da Minha Terra
Amália/ Tiago Machado

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que a recebi

É meu e vosso este fado
Destino que nos amarra
Por mais que seja negado
Às cordas de uma guitarra

Sempre que se ouve o gemido
De uma guitarra a cantar
Fica-se logo perdido
Com vontade de chorar

E pareceria ternura
Se eu me deixasse embalar
Era maior a amargura
Menos triste o meu cantar

quinta-feira, 13 de julho de 2006

My Song



À muito tempo que não se fala de música neste blog, que vergonha Louis! Com o concerto do Keith Jarrett quase quase aí (os bilhetes esses já estão comprados)... apetece-me hoje falar sobre este cd. Podia falar num sem fim de bons cd's do Jarrett nas mais variadissimas formações, podia também falar nos mais emblemáticos a solo como o Koln Concert ou o Facing You... esses são especialíssimos. Este senhor é sem dúvida uma das bandas sonoras da minha vida desde pequenina, pois o meu papá era um afficionado. E este cd é absolutamente melodioso, harmonioso e suave (apesar do som mais que típico dos sax's do Sr. Garbarek), tal e qual um bom domingo de manhã. A tomar o pequeno almoço no sofá de pijama enquanto o papá toma o café e lê o jornal. Há cd's assim. Que me remetem para este universo e para essa traquilidade. Muitos até. Sabe bem depois de um dia mais que complicado pôr o cd, esticar as pernas e pensar em dias assim. Este como outros... I know by heart! Aconselho vivamente a todos! Todos mesmo!
Ella

MY SONG, ECM 1977/11
Keith Jarrett Piano, Percussão
Jan Garbarek, Saxofone Tenor e Soprano
Palle Danielsson, Baixo
Jon Christensen, Bateria

segunda-feira, 10 de julho de 2006

O Amanhã


Hoje é assim... vou suster a respiração e aguardar. Todo o peso do amanhã suspenso no vazio, todo o insustentável peso de ser equilibrando-se no fio da navalha. Dada a natural tendência para a asneira talvez seja preferível desejar o melhor e esperar o pior. Prepara-se o ser. E o que vier... voilá! O passado ensina-nos que o mais profundo golpe sara em tempo devido. Deixa cicatriz mas sara. E essa cicatriz não é mais que o mapa dos caminhos percorridos, a memória intemporal que não nos deixa voltar atrás e perder o rumo. Assim, espero hoje pelo futuro... em paz... quer com o passado quer comigo! Em paz...
Ella


Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos,
E o meu destino apareceu-me na alma como um precipício.
A minha vida passada misturou-se com a futura,
E houve no meio um ruído do salão de fumo,
Onde, aos meus ouvidos, acabara a partida de xadrez.
Ah, balouçado
Na sensação das ondas,
Ah, embalado
Na idéia tão confortável de hoje ainda não ser amanhã,
De pelo menos neste momento não ter responsabilidades nenhumas,
De não ter personalidade propriamente, mas sentir-me ali,
Em cima da cadeira como um livro que a sueca ali deixasse.

Ah, afundado
Num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono,
Irrequieto tão sossegadamente,
Tão análogo de repente à criança que fui outrora
Quando brincava na quinta e não sabia álgebra,
Nem as outras álgebras com x e y's de sentimento.

Ah, todo eu anseio
Por esse momento sem importância nenhuma
Na minha vida,
Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos —
Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma,
Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o
compreender
E havia luar e mar e a solidão, ó Álvaro.

Álvaro de Campos

sábado, 8 de julho de 2006

Melancolia do "pequeno" Tim Burton


A Morte Melancólica do Rapaz Ostra, conhecem? 23 contos, alguns pequenos e outros "muito pequenos". São as histórias de pequenas personagens com um destino incerto, por vezes também muito pequeno (a morte espreita em cada um desses contos!). Um pequeno condensado de humor negro e drama fantástico metidos num pequeno livro da autoria de Tim Burton. Cada personagem tem também direito a um pequeno desenho próprio do autor, que enriquece assim esta pequena jóia para pequenos e graúdos (não demasiado sensíveis à melancolia...). Recomendo vivamente a versão em inglês (a portuguesa encontra-se esgotada, temos pena).
PS: Ouvi por aí dizer que alguém fez música para este pequeno universo...
LOUIS

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Conto Tradicional da Salamandra Viscosa

Carissimos, este post é dedicado à Ella, por vários motivos, tantos que poderia ficar aqui o resto do dia a enumera-los, mas opto por dizer apenas dois:
1. resposta ao post anterior onde descaradamente a Ella colocou um desenho da minha co-autoria,
2. para não ter a mania que só ela é que vai ao "baú da história" buscar relíquias antigas.

No seguimento da nossa conversa ontem: " - vou despejar estes dossiers, nunca mais vais olhar para isso". Cheguei a casa, olhei para uma das estantes e disse: não é tarde nem é cedo, arranjei um saco de plástico de alças bem grande e comecei a desfazer-me de "histórias" no intuito de construir novo espaço para novas histórias!

Descobri esta pérola. Lembro-me perfeitamente disto, andavamos no 10º ano, eramos colegas de carteira de Língua Portuguesa e a nossa professora certo dia disse: quero que escrevam um conto tradicional...

Aqui está a versão fac-símile, original, sem qq correcção à posteriori, a versão original.

Toma Ella, é para ti!


Conto Tradicional

Introdução
Este conto tradicional foi recolhido algures no nosso país. Antes de ser escrito foi passado oralmente de geração em geração, de avós para netos de e de pais para filhos. ara hoje podermos ler este conto, nós alunas do 10º ano, tivemos que investigar, passar horas com a população, horas que não dormimos por estarmos a investigar; Mas o resultado é este: o Conto Tradicional, mais famoso de todos os tempos.O conto da Salamandra Viscosa que não sabia nadar (yô!)

O conto da Salamandra Viscosa que não sabia nadar (yô!)

Era uma vez, uma linda rapariga, filha de um humilde, que vivia numa floresta.Quando ela tinha apenas 3 anos a sua mãe morreu, e desde então que passava os dias sozinha e triste, na sua fria e isolada casa na floresta.
Um certo dia sentindo-se tão só, resolveu ir dar um passeio até ao rio. Foi então que viu, um belo rapaz montado no mais lindo cavalo que ela vira até àquele dia.Mas também ele estava triste e só, porque não tinha amigos. Ao ver a linda rapariga o rapaz ficou deslumbrado com tanta beleza e logo meteu coversa com ela.
Como ambos passavam os dias sozinhos, começaram a econtrar-se todos os dias no rio. Embora separados pela forte corrente, rapidamente se aperceberam que o que sentiam um pelo outro era amor, puro e inocente.
Porém um dia o jovem não foi ter com a rapariga, e ela ficou muito preocupada, pois não sabia a verdadeira identidade do jovem. Ele não era mais do que um príncipe, cujo pai queria que ele se casasse com uma rica rapariga do reino, mas que era na verdade uma bruxa má. Como ele amava a linda rapariga, não queria casar com a bruxa e resolveu fugir do reino. Mas a bruxa indignada resolveu segui-lo para se vingar. Quando encontrou o principe decidiu vingar-se dele transformando-o em salamandra viscosa.
Como não tinha mais ninguéma quem recorrer, o príncipe foi ter com a linda rapariga.
Quando chegou à margem do rio e viu a sua amada do outro lado, atravessou o rio a nado para ir ao seu encontro. A linda rapariga assustou-se, pois tinha medo de salamandras. Mas o príncipe mesmo transformado conseguia falar e então disse para a rapariga não ter medo e contou-lhe a sua história. Ela, como nutria também por ele um grande amor, perguntou-lhe o que poderia fazer por ele e ele disse-lhe que o feitiço passava se ela lhe desse um beijo. E foi então que ela lhe deu um beijo e ele se transformou no belo príncipe por quem ela se tinha apaixonado.
O príncipe levou-a para a corte, casaram e viveram para sempre felizes no seu ninho de amor.


FIM

P.S. - Já agora... o texto é rematado com um satisfaz muito