domingo, 19 de março de 2006

França volta a sair à rua!

Nos últimos dias, os tumultos voltaram ás ruas de Paris e de muitas outras cidades francesas, mas desta vez os motivos são outros. E desta vez não são carros a serem incendiados no meio da noite, mas sim manifestações com dezenas de milhares de pessoas. O principal motivo é a solução do primeiro-ministro Dominique de Villepin para facilitar a criação de empregos, encorajando as empresas a admitirem jovens recém-licenciados, e designa-se de CPE - Contrato de Primeiro Emprego. E à custa de quê? De uma maior facilidade de despedimento, sem justa causa ou indeminização, ao longo dos primeiros dois anos de emprego. Os partidos de esquerda, os sindicatos, e a juventude francesa contestam este contrato que visa substituir o que se encontra em vigor, o CDI - Contrato de duração indeterminada - que garantia um emprego estável e direitos. Para quem quiser ler mais.
Não sei quanto a vocês... mas gosto sempre de ver pessoas que se preocupam, e não se limitam a comentar sentadas no sofá! Triste é saber que em todo o lado existe gente estúpida, sem causas, que faz questão de provocar momentos de violência.

Ella

sexta-feira, 17 de março de 2006

IV Festa do Jazz do São Luiz


É já nos próximos dias 31 de Março, 1 e 2 de Abril que se irá realizar mais uma festa do Jazz no teatro São Luiz. Tal como nos vem habituando, este evento vai juntar profissionais nacionais consagrados e os aprendizes do métier, num habiente sempre acolhedor. Este ano a Festa do Jazz contará ainda com um convidado especial, o saxofonista David Binney. À semelhança de anos anteriores vai poder contar-se com: a apresentação de combos de diversas escolas nacionais no Jardim de Inverno (entre as 14h00 e as 19h00); 2/3 concertos por noite na Sala Principal e no estúdio Mário Viegas; as master classes com o Bernardo Sassetti (1 de Abril, piano) e o David Binney (2 de Abril, saxofone); uma feira de discos; e, tal como o ano passado, o Ensemble Festa do Jazz irá interpretar e estreiar 5 obras encomendadas a compositores portugueses (entre eles : Andreia Pinto Correia, Nélson Cascais, Mário Laginha, Tomás Pimentel e Afonso Pais).
Como destaque a não perder, recomendo:

31 Março :

Sala Principal – 21h30:
Bernardo Sassetti / Ascent Trio2
Ajda Zupancic - violoncelo, Jean François Lezé - vibrafone, Bernardo Sassetti - piano, Carlos Barretto - contrabaixo, Alexandre Frazão - bateria.

Sala Principal – 23h00:
Ensemble Festa do Jazz
Interpreta composições originais de: Andreia Pinto Correia, Nelson Cascais, Mário Laginha, Tomás Pimentel, Afonso Pais.
João Moreira - trompete, Carlos Martins – sax tenor, Perico Sambeat - sax alto, Nuno Ferreira - guitarra, Jesse Chandler- piano, Paco Charlín - contrabaixo, Bruno Pedroso – bateria.

1 de Abril :

Estúdio Mário Viegas – 20h00:
Quinteto de Mário Santos “Bloco de Notas”
Mário Santos – sax tenor e alto, José Pedro Coelho – sax tenor e soprano, Rui Teixeira – sax barítono e alto, António Augusto Aguiar – contrabaixo, Michael Lauren – bateria.

2 de Abril:

Jardim de Inverno – 24h00
: SPJ Group & João Guimarães “Tributo a Charlie Parker”
Seminário Permanente de Jazz de Pontevedra (Galiza)
Nacho Pérez - guitarra, Xan Campos - piano, José Ferro - contrabaixo, Max Gómez - bateria, João Guimarães – sax alto.

Apareçam por lá!
Ella

quarta-feira, 15 de março de 2006

Principessa procura castelinho!

Helping the kids out of their coats
But wait the babies haven't been born
Unpacking the bags and setting up
And planting lilacs and buttercups

But in the meantime I've got it hard
Second floor living without a yard
It may be years until the day
My dreams will match up with my pay

Old dirt road
Knee deep snow
Watching the fire as we grow old

I got a man to stick it out
And make a home from a rented house
And we'll collect the moments one by one
I guess that's how the future's done

How many acres how much light
Tucked in the woods and out of sight
Talk to the neighbours and tip my cap
On a little road barely on the map

Old dirt road
Rambling rose
Watching the fire as we grow, well I'm sold

Mushaboom,
by Feist
Ella

terça-feira, 14 de março de 2006

Hoje o céu está mais azul

Acordei, abri a janela e o céu azul inundou o meu quarto. Uma brisa primaveril entrou e salpicou-me de sonhos. Será que a Primavera já chegou? Ou será o Calima? De qualquer das formas sabe bem, sabe muito bem! Ups... já tou atrasada. E não é todos os dias que a fadinha desce do Yorkshire para tomar o pequeno almoço comigo. Fadinha sempre fabulosa espalhou os pózinhos de prelim-pim-pim, e depois voou! É bom termos uma fadinha sorridente. O dia continuou sorridente, rápido e ocupado. A meio da tarde rumei ao jardim da Gulbenkian para fazer tempo até à hora marcada. Entre árvores escpectrais retiradas de um filme Tim Burtoniano... lá estáva a primavera a espreitar... aqui e ali! Como um esperança, uma promessa. Afinal sempre é verdade, suavemente a Primavera anúncia a sua chegada. Basta deixar a janela aberta...

Ella

segunda-feira, 13 de março de 2006

Lee Konitz com OJM

Concerto na Casa da Música no domingo 12 Março 2006. Impressões boas e bastantes más. Boas pela boa disposição do "já nada novo" Lee Konitz que, em poucos segundos do início do concerto, mostrou que poucas notas, um som único e a procura da melhor frase no momento certo são os ingredientes mínimos necessários para cozinhar um jazz digno dos grandes. Lee Konitz começou sozinho o "I remember you" que a Orquestra Jazz de Matosinhos viria a completar. Arranjos de Ohad Talmor sobre temas de Konitz e alguns standards. E aí começaram os problemas. Uma captação de som muito pouco digna para a sala 1 da Casa da Música (o piano mal se ouvia quando estava a solo! Os trombones a arrasar com todos os outros instrumentos!). Mas sobretudo uma orquestração massiva, confusa, sobretudo exagerada. O senhor francês Ohad Talmor tem muita técnica de escrita, muitos recursos, mas tem sobretudo muito de muito. O Lee Konitz espanta-nos com a sua simplicidade (pela positiva), o Ohad Talmor espanta-nos com 500 mil variações em escassos segundos (para quem goste...). Acho que a OMJ fez o que pôde, encontrando aqui um bom desafio para tocar um repertório demasiado "muito". Por motivos desconhecidos, a orquestra teve como convidados extra o André Fernandes na guitarra (que esteve muito bem nos breve momentos em que apareceu) e Mário Barreiros na bateria. Ao que parece desta colaboração sairá um futuro CD para o mercado. E pronto. Aconselho todos a arranjar gravações do grande (e simpático) Lee Konitz!
LOUIS

sexta-feira, 10 de março de 2006

Em semana de Dia da Mulher

Dia 8, para quem não deu por isso, foi Dia da Mulher. Hoje andava eu a ler os blog's do costume e dei com este pequeno texto que me pareceu indicado para as devidas reflexões sobre a mulher e a sociedade:
"Senhor Presidente Cavaco Silva, como é que vai conseguir conciliar as responsabilidades deste alto cargo com as suas obrigações familiares?"Pergunta tola, dir-se-á. (....) Nem por isso. Foi exactamente esta pergunta que fizeram, no mês passado, à recém-eleita Presidenta do Chile, Michelle Bachelet. Uma mulher, claro. Só a uma mulher nos lembramos de fazer uma pergunta assim(....) Além disso, e dado que Michelle Bachelet é divorciada, alguém perguntou-lhe mesmo se não iria ser mais difícil suportar as agruras do cargo "sem os carinhos" de um parceiro lá em casa. Mas a senhora também respondeu à letra: "Adorava que, se neste meu lugar estivesse agora um homem, lhe fizessem exactamente esse tipo de perguntas. Desafio a que o façam no futuro..." E mais disse aos jornalistas: "Quando eu nomear algum ministro, não se esqueçam de o questionar sobre como vai equilibrar as coisas entre o trabalho político e a vida familiar, como vai ser quanto à casa, quanto aos filhos, etc..."Mas não, nunca fazemos essas perguntas aos homens. Nem eles as fazem a eles próprios.
Joaquim Fidalgo, no Público

Photo by Henry Cartier-Bresson (acho que não preciso dizer de quem se trata, espero que ninguém tenha duvidas de quem é esta feminista!)

Ella

quinta-feira, 9 de março de 2006

Calima

Foto: NASA

Os espanhois chamam-lhe Calima, em Inglês designa-se Dust Storm.
Aparentemente, parece uma nublina.
Acompanhada de muito calor,
esta nuvem de pó faz-nos recordar a proximidade ao deserto do Sahara.

É o deserto a soprar o oceano...

terça-feira, 7 de março de 2006

Parte II : Brokeback Mountain

Ontem foi dia de retomar as idas ao cinema e com tantos filmes em falta, foi difícil escolher. Acabámos por optar pelo que estáva à mais tempo em cartaz e que, portanto, numa 2ªfeira à noite estaria mais sossegado - Brokeback Mountain. O filme mais falado e aclamado do momento, no bom e no mau sentido - já ouvi de tudo! Mal me sentei, ouvi o tipo atrás de mim comentar: "viemos ver um filme de paneleiros, não sei se estou preparado para isto!". E pensei: "só espero que guarde estes pensamentos idiotas para si durante o filme". Assim foi, daquela triste alminha nada mais se ouviu - pelos vistos esteve entretido! GOSTEI DO FILME, gostei mesmo! A única coisa que tenho a apontar é que a meio torna-se um pouco lento demais. Em nada achei, como já tinha ouvido comentar, que as cenas eram gratuitas. Muito pelo contrário, estão no sítio e no momento certo. Para mim é uma história universal, uma história de amor vivida por duas pessoas que o tempo, a vida, e os conflitos interiores pessoais teimam em afastar. E isto acontece todos os dias em todo o mundo. Partilhei o sofrimento deles e chorei... como choro sempre que o amor não triunfa. Sem dúvida que ás vezes o nosso pior inimigo e o maior obstáculo à nossa felicidade, somos nós proprios. Resta-me ainda dizer que as interpretações de ambos (Heath Ledger e Jake Gyllenhaal) são 5 estrelas, extremamente credíveis, principalmente o Heath que bem merecia um óscar (não desfazendo o Philip Kaufman, mas ainda não vi o filme dele!). Parabéns ao Ang Lee que soube como fazer um filme difícil de uma forma inteligente. A prepósito, o melhor comentário que li ao filme foi o do Nuno Markl, pelo menos compartilho da opinião dele...

Enquanto pensava e escrevia este post, lembrei-me deste pequeno poema que adoro...

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e separa.

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Ella

Em rescaldo de Óscares... vamos falar de filmes! - Parte I

Este fim-de-semana o Louis esteve doente. Como todo o homem doente, virou menino. Com o tempo cinzento que teimava em persistir, acabámos por esticar o corpo e a mente no sofá, e enchemos a barriga de filmes. Vimos o Virgem aos 4o, que se tornou uma alegre surpresa e uma grande gargalhada. Dúvido sempre deste tipo de comédias main-stream made in USA, com todos os clichés com que os americanos aparentemente gostam de rir, mas desta vez as criticas sempre tinham razão. Para acabar em beleza, terminámos com o Wallace and Gromit - A maldição do Coelhomem, que perdemos no cinema e foi finalmente lançado o DVD. E o que dizer de um filme muito bom, em que se sente que foi feito com muita dedicação e carinho?! Cada momento, cada piada, cada detalhe, cada movimento foi pensado ao pormenor, e é fruto do amor de Nick Park e Steve Box (mais vagamente da Aardman) por estes bonecos. Em tudo merecedor do òscar (aplausos), e com muita pena minha que adorei o Corpse Bride (Tim o teu óscar não tarda!). A não perder!

Ella

domingo, 5 de março de 2006

Para o meu menino do piano...


Vi um menino, com um piano,
No céu da minha cabeça,
Veio de tão longe, só para me pedir,
Que nunca o esqueça.

Vinha tocar o seu piano,
Como só nos sonhos pode ser,
Por entre as núvens e as estrelas,
Apareceu, quando me viu, adormecer.

Ficou sentado, perto de mim,
Onde mora a fantasia,
Quis-lhe tocar, mas não se pode ter,
A noite a iluminar o dia.

Soprou devagarinho, uma estrela,
Que se acendeu na sua mão,
Disse-me podes sempre vê-la,
Se souberes soprá-la no teu, coração.

Vi um menino, com um piano,
A despedir-se de mim,
Como uma núvem, fez o mar e partiu,
Nos sonhos pode ser assim.

Disse-me está a nascer o dia,
Vou para onde a noite se esconder,
Volto com a primeira estrela,
Para tu nunca teres medo, ao escurecer.

O menino do piano,
Mafalda Veiga
Ella

sexta-feira, 3 de março de 2006

Yann Tiersen


Concerto no CCB segunda 27 de Fevereiro, 21h. Verdade seja dita, não sabia de todo o que me esperava. Um concerto do compositor da Amélie Poulain e Goodbye Lenine entre outros filmes. O quê que ele toca? Vai ser Amélie durante 1h30? Vai tocar sozinho? Não devia ter ficado em casa e mascarar-me de... Lenine?
Pois o senhor bretão toca muita coisa (5 ou 6 guitarras diferentes, piano eléctrico "vintage", acordeão, voz, violino, 2 mini-pianos) e safa-se muito bem, numa vertente popular plenamente assumida, da qual sobressai uma "folia folclórica" que dinamiza todo o grupo. O grupo são mais 4 elementos, guitarra, baixo, bateria e "ondes martenot" (uma espécie de theremin com teclado, fiquem à espera do meu próximo post!). Mas não pensem que este ultimo instrumento é o único toque original do grupo. O "todo" surpreende o espectador constantemente com o uso de engenhos estranhos sobre os instrumentos para produzir sons bizarros que se integram perfeitamente em cada música. Fica na memória a serra do baterista, e uma espécie de batedeira aplicada à guitarra. E a música propriamente dita? Algumas passagens a solo do Tiersen, algumas poucas músicas da Amélie e sobretudo muito rock! Pelos vistos tirado do album "les retrouvailles". O grande auditório do CCB "arockalhou" durante 2 horas, conseguindo manter o interesse da audiência até ao fim com uma série de encores. A música de Tiersen é sem dúvida sedutora, carregada de uma aparente simplicidade muito agradável de ouvir. Tem um estilo bem próprio (o sonho de qualquer "artista"), com o que isso tem de bom e de mau. Muita personalidade mas alguma repetição e falta de reinventividade ao longo do concerto, fácilmente desculpável com a constante exploração tímbrica dos intrumentos. Portanto se tiverem a possibilidade de ver o senhor Tiersen ao vivo, não hesitem! Bom concerto.

LOUIS

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

A Lentidão e a Memória

Há um elo secreto entre a lentidão e a memória, entre a velocidade e o esquecimento. (...) Alguém que queira esquecer um incidente penoso que acaba de viver acelera sem dar por isso o ritmo da sua marcha como se quisesse afastar-se depressa do que, no tempo, lhe está ainda demasiado perto. Na matemática existencial, esta experiência assume a forma de duas equações elementares: o grau da lentidão é directamente proporcional à intensidade da memória; o grau da velocidade é directamente proporcional à intensidade do esquecimento.

A Lentidão, Milan Kundera

Photo by Louis
Ella

sábado, 25 de fevereiro de 2006

Bom Carnaval!

"Ai chega... chega... chega... a minha agulha! Afasta...afasta... afasta o meu dedal!" Os preparativos do Carnaval estão quase a terminar... hope so! E os fatos até estão "catitas". Só é pena o frio e a chuva... mas não faz mal, "ninguém leva a mal". Escolham a vossa máscara ou tirem-na... e divirtam-se!

Ella

Ayreon - Human Equation

Já tinha recomendado o álbum no site em que sou administrador mas vou voltar a focá-lo. Para mim um dos melhores albuns conceptuais que tive oportunidade de conhecer, para além de Queensryche - Mind Crime e Dream Theater - Metropolis part 2.

Vou começar por apresentar os Ayreon, Arjen Lucassen compositos, senhor com 20 e muitos anos de carreira no metal. Juntou neste seu projecto grandes nomes da música, não apenas do submundo do metal mas de outras vertente musicais, fazendo grandes combinações de estilos musicais. Foi em 1995 que lançou o primeiro albúm do projecto.

No albúm Human Equation, Arjen toca baixo e guitarra, sendo os outros elementos músicos convidados para encaixar personagens.

A história relata a recuperação de um homem (James LaBrie - Dream Theater) que sofreu um acidente depois de ter visto sua mulher(Marcela Bovio) com o seu melhor amigo(Arjen Lucassen). Durante o seu coma profundo sofre um processo de retrospecção, sendo julgado pelas diferentes vozes da consciência e passando por diferentes estados de espirito, Medo (Mikael Akerfeldt), Razão (Eric Clayton) , Raiva (Devin Townsend), Amor(Heather Findlay), Orgulho (Magnus Ekwall), Agonia (Devon Gaves), Paixão (Irene Jackson). Esta retrospecção faz com que ele se arrependa das coisas más que fez, nomeadamente ao amigo... São 20 dias de luta pela vida, 20 dias de sensações diferentes, de diferentes sentimentos que acabam pelo regresso de um homem modificado e arrependido dos males que fez.

As participações vocais são bastante adequadas às personagens, sendo de destacar a de James LaBrie, Magnus Ekwall, Arjen e Devin Towsend. As actuações femininas também estão muito bem conseguidas(uma dessas vozes femininas faz parte de outro e novo projecto de Arjen, Stream of Passion).

A parte de instrumentalização é de bastante qualidade, muito progressiva com a sonoridade que os Ayreon nos habituaram nos anteriores albuns, o ambiente de teclas s e as misturas de sonoridade.

Recomendo as faixas 2, 11, 12, 16 e 20 .
Tentei ser breve e não estragar as surpresas da audição. Aconselho vivamente seguir a música com as letras à frente para se tirar partido das personagens.

O site: http://www.ayreon.com/projects/project.php?project_id=1

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Olhar... e reencontrar o mar!



Já me tinha esquecido do quão bom era poder olhar o mar naquele percurso diário que acompanhou o meu último ano. Revisitar aquele percurso que tantas vezes fazia na companhia de um livro, de uma música, de uma conversa... mas sempre com o mar ao fundo. E fui feliz por reencontrá-lo ali, no sítio do costume. Hoje estáva calmo sob um céu demasiado cinzento que se estendia de Lisboa à outra margem, e até ao horizonte. Fez-me lembrar este quadro da exposição da Mélancolie...

Caspar David Friedrich, Le moine devant la mer,1808-1810.

Ella

"E o passado foi lá atrás..."


Não resisti a roubar o link à Cerejinha, e também eu fazer aqui uma homenagem aos maravilhosos anos 70's e 80's onde habitou a minha infância! E sei que a dos meus colaboradores e amigos que vão por aqui passando também, por isso vale sempre a pena partilhar. Espero que apreciem esta pequena viagem pelo mundo das recordações... eu adorei!
Qual era o vosso preferido???

Ella

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Secret Heart

Eis a música que tem colorido a minha semana... e como tal, hoje foi o ritmo com que as minhas pernas sairam da cama, perseguiu-me no banho e ainda não me saiu da cabeça. Faz-me lembrar o verão, os mergulhos, tudo graças ao amigo Kalash. Mas bem que posso continuar a cantar e a dançar, porque para mergulhos e "dolce fare niente" ainda faltam uns quantos meses! BOM DIA A TODOS!

Secret Heart
What are you made of
What are you so afraid of
Could it be
Three simple words
Or the fear of being overheard
What's wrong

Let her in on your secret heart

Secret Heart
Why so mysterious
Why so sacred
Why so serious
Maybe you're
Just acting tough
Maybe you're just not bad enough
What's wrong

Let her in on your secret heart

This very secret
That you're trying to conceal
Is the very same one
You're dying to reveal
Go tell her how you feel

Secret heart come out and share it
This loneliness, few can bear it
Could it have something to do with
Admitting that you just can't go through it alone

Let her in on your secret heart

(Secret Heart, Feist)

Mmmmm... Pop...Pop... Go out and share it!
Ella

Lost!

Boas notícias pessoal, a 2ª temporada desta enigmática e "agradavelmente enervante" série está a caminho! A RTP tem andado a passar a 1ª série de novo (em horário muito pouco nobre) e pelos vistos, dia 28 de Fevereiro, será o início da nova série em horário quase nobre (22h30, a confirmar). Para quem ainda não conhece ainda vão a tempo. Hoje é à 1h30. A história é simples: acidente de avião, ilha "deserta", animais fora do sítio, estruturas metálicas bizarras, personagens que não estavam no avião, enfim, é um cocktail saboroso de enigmas descosidos! Para além disto as personagens principais têm todas uma história marada que vamos descobrindo em flashbacks. Aconselho e aconselho. E está quase na hora, portanto, hasta la pasta!
LOST. Ups, perdão. LOUIS.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006


A vida numa colher (beterraba),
de Miguel Rocha

Recomendo vivamente (à professor Marcelo), para os adeptos do género (e não só), esta BD de Miguel Rocha – autor consagrado e vencedor na categoria de autores nacionais, em 2004, no Festival de BD da Amadora – sobretudo por duas razões: pela técnica invulgar e espectacular que o gajo usa, e também pela história, que é, no mínimo, original e um bocado louca...

Saudações!

Manu

domingo, 19 de fevereiro de 2006

Qual o valor da Vida?



Tudo começou na sexta com o DVD que a revista Visão fez o favor de nos impingir (e muito bem!), A Marcha dos Pinguins. Um filme de uma pureza cálida que retrata a longa jornada milenar destes pequenos pinguins, guiados unicamente pelo instinto, num mundo que tem tanto de inóspito quanto de belo. Ontem fui ver o Munique. Um bom filme, com uma realização de excelência, nem outra coisa seria de esperar do Sr. Steven Spielberg. Com imagens brutais carregadas de simbolismo, e com uma textura que nos transporta para a realidade. No final senti-me... sem esperança. Violência gera violência, penso que já ninguém tem dúvidas disso, e todos perdem a razão. Mas não, desta vez não é só um filme! É o hoje, e é o agora.
O que é que os pinguins têm a ver com os problemas no médio oriente? À primeira vista absurdamente nada de nada. E efectivamente não têm nada, mas é o que me tem vagueado pelo pensamento este fim-de-semana. Não quero falar dos óbvios cartoons, estou farta de falar e divagar sobre eles noutros ambientes, mas quero falar sobre nós. Sobre nós enquanto seres humanos. Sinceramente, hoje não sei qual o significado de humanidade... qual é hoje o valor da vida humana... Teremos nós perdido todo o respeito pelo outro? A verdade é que enquanto via o documentário, o que pensei foi: "estes bichos têm mais de humano que a maior parte dos Homens". Eles sabem o preço que têm de pagar por viver, por gerar uma vida e por mantê-la viva. Quando é que nós perdemos isso? Talvez me esteja a enganar, talvez nunca o tinhamos sabido, afinal a guerra pertence à condição humana. E o que é isso de condição humana? Hoje sinto-me um pouco descrente em nós... somos capazes do melhor e do pior... e hoje isso assusta-me... porque já não sei o que significa melhor... Enfim, é o que sinto hoje, talvez amanhã passe!

Ella

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) informa: Gripe das Aves

Frida de visita a Lisboa


"I paint my own reality. The only thing I know is that I paint because I need to, and I paint whatever passes through my head without any other consideration." Frida Kahlo

O CCB vai abrir as portas no próximo dia 24 de Fevereiro a todos aqueles que quiserem ver de perto as obras da pintora mexicana Frida Kahlo. "... é a vez de Lisboa receber a maior e mais completa exposição sobre Frida Kahlo realizada nas últimas décadas, com obras provenientes do Museu Dolores Olmedo, no México, a colecção mais importante que existe no mundo sobre a genial artista mexicana." Uma mulher que admiro pela força, e para quem pintar era a única forma de viver, muitas vezes cada dia de sofrimento da sua vida. Com uma vida marcada pela dor e tortura física diária que nunca lhe permitiram ser mãe, e um grande amor por um homem incapaz de lhe ser fiel (de quem também ela se vingava), Frida amou e odiou como toda a gente. E os seus quadros são isso... todo o seu mundo... nu e cru. Onde transparece toda a dimenssão do ser humano. Sempre. A exposição de 26 obras é acompanhada de fotografias e objectos pessoais pertencentes ao museu sobre a vida de Frida Kahlo, desde a sua infância até à sua morte. A entrada geral é 5€, para menores de 25 e maiores de 65 anos é 2.50€.
Por falar em exposições, também não posso deixar de sugerir um pulinho ao museu do Chiado até dia 19 de Março, para ver a primeira exposição em Portugal dedicada ao Fauvismo. O Fauvismo teve origem no termo francês fauves que significa "feras". Com essa denominação foram caracterizados os artistas franceses que em 1905 expunham as suas obras em Paris. O fauvismo é a exaltação da cor pura que, como sugere o seu próprio nome, tem algo de selvagem, de instintivo. "Trata-se de uma valiosa selecção de obras fulcrais do Musée des Beaux-Artes de Bordeaux, de artistas como Henri Matisse, Albert Marquet, Pierre Auguste Renoir, Oskar Kokoscka, Auguste Chabaud, Chaïm Soutine, Jean Puy, André Lhote, Othon Friesz, Louis Valtat". A entrada geral 3€, menos de 25 e mais de 65 anos 1.50€.
Espero que gostem das sugestões e bom fim-de-semana a todos!
Ella

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

...e de novo acredito














"... E de novo acredito

que nada do que é importante se perde

verdadeiramente.

Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas,

dos instantes e dos outros.

Comigo caminham todos os mortos que amei,

todos os amigos que se afastaram,

todos os dias felizes que se apagaram.

Não perdi nada,

apenas a ilusão de que tudo podia ser meu

para sempre."


Miguel Sousa Tavares

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Bom dia!

A música limpa da alma a poeira de cada dia.

Pablo Picasso

Photo: Musician in The Rain, by Robert Doisneau.
Ella&Louis

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Brad Mehldau!

Trio do Brad Mehldau sexta-feira 10 /02/06 no CCB. Por curiosidade, antes de eu escrever esta crítica, a Ella foi procurar alguns comentários "bloggeiros" sobre o concerto. As opiniões são diversas. Por unanimidade se reconhe o valor artístico do pianista e seus acompanhantes (também sou unânime!). Falta talvez referir que o que faz dele um MEHLDAU e não outro qualquer é a sua linguagem própria ao improvisar (a tradição jazzística combinada com a sua melancolia "clássica") e uma técnica de mão esquerda única (não conheço nenhum pianista que faça algo parecido com aquilo!). Depois ouve quem achasse que o concerto nunca "descolou", que a inspiração do pianista não estava lá, que o concerto foi perfeito, que os 3 encores foram demais ou demenos. Na minha opinião: a inspiração estava lá, sem dúvida, nem que tenha sido só nalguns momentos sublimes. Acho que é muito difícil para um músico jazz, seja de que "ranking" for, encontrar inspiração inesgotável numa sala gigante (e um palco não mais pequeno) como o CCB. Aquilo não se parece de todo com um lugar quente, acolhedor e estimulante, em que se sente proximidade do público. Quem está no palco nem sequer consegue ver o público (experiência própria!). Não quero com isto desculpar o Mehldau, só quero salientar o pensamento que tive ao entrar no Grande Auditório: quem me dera poder ver este trio a tocar no Hot Clube! Acho que esse seria sem dúvida o concerto memorável a que eu queria assistir. Quem quiser ouvir o Mehldau a "levantar vôo", acho que essa é a única maneira. As gravações dele ao vivo em pequenos clubes são sem dúvida as mais fugazes. Mas o Brad não é só isso. O Brad é muito amor pela música, é uma sonoridade límpida e redonda misturada com blues, é a tal "melancolia" sempre presente, é a exploração da melodia até à exaustão. É um grande conhecimento não só do jazz mas também do pop do seu tempo, do nosso tempo, é a actualidade da música nos seus dedos. Conclusão: fosse o concerto que fosse, seria incapaz de criticar severamente o Brad Mehldau tendo em conta o gigante músico que ele é. O concerto foi bom. Qualidade excelente, etc etc. O repertório escolhido? Foi o que não permitiu o concerto chegar ao muito bom. CCB? Foi o que não permitiu chegar ao excelente. Fico à espera de uma próxima! (por enquanto vale o concerto com antigo trio no Jazz in Marciac 2002!)
LOUIS

Em véspera de dia de São Valentim...

- Toda a gente tem medo do quotidiano, como se tratasse de uma fatalidade que desenvolve o tédio, o hábito; não acredito nessa fatalidade...
- Em que acreditas?
- Acredito que o quotidiano está na origem da cumplicidade, que é nele que, ao contrário do habitual, podemos inventar "o luxo e o banal", o exagero e o comum.

Et si c'était vrai..., Marc Lévi
Ella


Click here: Freedom

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

Os pequenos grandes mistérios da vida

- Sabes eu ainda não acredito muito nessa história dos “átomos”! – Micas.
- Acreditas em Deus? – Ella.
- Sim, quer dizer… Acho que sim!
- E alguma vez viste Deus?
- Não! Mas algumas pessoas dizem que sim!
- Pois com os átomos é a mesma coisa, estão em todo o lado e em todas as coisas, já se fizeram muitas demonstrações que provam que eles existem, e até já houve pessoas que os viram!
- Pois... e então explica-me lá porque é que eu tenho que aprender a acertar as equações químicas se na natureza elas acontecem certas?

(Não há nada no mundo como as crianças - desculpa Micas - e os pré-adolescentes – assim deve estar melhor! - para nos deixar sem resposta imediata a perguntas inocentes! E também para nos relembrar e não nos deixar esquecer da simplicidade da vida! Adoro-te Micas! Adoro-te Cocas! Nada como vocês para descomplicar uma mana muito complicadinha!)

Ella

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

To Post or not to Post!

That is ze question! Hoje não tenho nada para dizer. Cansado, embora com um dia pouco atarefado. Mas "postar" por "postar" optei por "postar" mas sem "postar" nada que se "poste". O que eu queria era fazer um post que contivesse um outro post. Um post autosuficente. Portanto este é um post em homenagem aos post. Viva!
(Estarei a ficar louco? Reminescências de um Charlie Kaufman?)
LOUIS

You must remember this...