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terça-feira, 6 de maio de 2008

Herança genética


Que herdei a falta de pontualidade do meu Pai (saltando os compromissos profissionais), os pés grandes, o sarcasmo e o sentido de humor negro, não é nada de novo.
Que herdei a miopia, o colesterol alto e o Mau Feitio da minha Mãe, também não é novidade!
Agora herdar uma úlcera no estômago da mulher que me pôs no mundo é que não é coisa que se faça! Logo a mim que gosto tanto de tirar proveito desse prazer da vida que é comer. E que agora é tudo menos isso. 
Sim, não precisam de dizer... é concerteza prémio pelo Mau Feitio!

Ella

domingo, 27 de janeiro de 2008

Post-Scriptum

Photo by J

Quando entraste na minha vida deste-me o sol.
E quando um dia decidi seguir sózinho, abriste-me a porta. Enquanto caminhava percebi que sem a tua luz vivo na solidão da noite. Perdi-me. Inevitavelmente. Perdi-nos.
Os anos passaram e se te escrevi esta carta com tamanha clareza foi porque hoje compreeedo que há coisas que não se devem guardar. Há coisas que devem ser ditas aqui neste mundo.
Não pareço eu, eu sei.
Só tu me soubeste sempre ler. Só tu.
Desculpa se um dia não te soube guardar. Mas vou levar-te para sempre comigo. Sempre. A ti e ao nosso tesouro. Toma conta dele. Protege-o. Ele é a única coisa que deixo para trás. E a única sem o qual não existo.
O amanhã termina em breve. Sinto-o.
Hoje posso responder à pergunta que me fizeste naquela manhã cuja distância se perde na memória.

- Sim, sei. A minha felicidade está ao teu lado.

Sê feliz meu amor.
Teu

by Ella

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

A casa quieta

(título plageado descaradamente de um livro do meu agrado)

Fecho a porta por trás de mim.
No corredor ressoam pequeninos pés que se atropelam enquanto correm. Da tua salinha escoa a melodia do 2º andamento da 5ª sinfonia de Mahler entrelaçada no burburinho cúmplice das vossas vozes. Espreito. Vejo-me aninhada ao colo do papá adormecida pelo doce embalo desse odor a livros, música, cigarros, segredos e pequenos tesouros. No pequenino quarto da titi, os índios jogam ao quarto escuro. Sentada na mesa da cozinha a Agostinha joga à bisca enquanto a Júlinha desenha carinhosamente com canela o nosso nome nas tacinhas de arroz doce ainda morno. Aquele cheiro ameno a tarte de pastel de nata, ou talvez maçã. O Paco estendido de atravessado no meio do corredor sempre carente de festas. A avó que nos apanha e esborracha beijos nas bochechas. As vozes que se empurram na sala de jantar. E ao fundo do corredor o murmúrio do que foi e já não existe. O eco dos passos perdidos. O silêncio do futuro.
Fecho a porta por trás de mim.

Ella

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Homem livre, tu sempre gostarás do mar

Charles Baudelaire

Micas,
Photo by João Melo

Como parece que nunca é tarde para começar... hoje tive o meu primeiro contacto com o mundo do bodyboard. Experiência essa negociada "mano a mano" com a Micas em troca do baptismo de mergulho que estará para breve. Sweet and smooth apesar da água gelada que nos recorda que somos animais de sangue quente e de que possuímos esqueleto. Pois que gostei, gostei mesmo. Apesar de não ter saído do nível 1 - leia-se comum dos mortais que ainda mal sabe fazer um bico de pato - e de o timing para apanhar as ondas estar longe do perfeito. Mas gostei, gostei mesmo. Very nice!

- Então hoje tás a dar aulas?
- Yah!
- É a tua irmã?
- Yah!
- Muito fixe!

Ella

PS. Gostei pricipalmente da inversão de papeis... que culminou quando me limpou a ranhoca da cara e me deu um beijinho na testa! Micas, je t'adore ma Pupuce!

sexta-feira, 15 de junho de 2007


A poltrona vazia. Espaço oco. Morto.
Sento-me em frente a ela.
Fecho os olhos. Abro. Vazia.
Fecho os olhos. Abro. Continua vazia.
Fecho os olhos. Vejo-te sentado nela. O mesmo fato, o mesmo cigarro na mão, a mesma manta sobre o colo.
Dizes, Olá Filha, e levas o cigarro à boca.
Lentamente... 3. 2. 1.
Abro os olhos. Continuas lá.
E enquanto te sorrio desapareces. Fica a poltrona vazia.
E o vazio.

Ella

domingo, 13 de maio de 2007

Deixa-me recordar...

Photo by Alfred Eisenstaedt, Trees in Snow (St.Moritz, 1947).

Estavam cada um na sua poltrona. As cabeças tombavam um para o outro. Dormiam. Serenamente dormiam. Não pude atrever-me a entrar, a quebrar-vos esse momento. Encostei a porta. Espreitei-vos secretamente por instantes retida nessa vossa paz. Retida nessa cumplicidade. Amor. Paz. Imagem gravada em mim.

Quando te perguntei se estavam ambos a dormir, respondeste:
- Eu não dormia estáva apenas a fazer-lhe companhia!

Ella

sábado, 31 de março de 2007


Há muito que esses olhos me intrigam. Olhos que não moram aqui, olhos que fogem para outro mundo. E que mundo será esse que habitas? Pareces feliz por lá, mas aqui não tens lugar.
Pequenina de mão dada com o papá ao passares era sempre: Olá Senhor Doutor, como está? Por acaso não tem um cigarrinho? E ele dava-te o maço, sempre. Com um obrigada acendias um cigarro e voltavas a esse sítio onde vives feliz.
Hoje quando passas por mim não me reconheces. Cresci. Tu continuas a fumar o teu cigarro, e os teus olhos ainda moram no mesmo lugar enquanto vagueias por entre nós indiferente. Sempre. Espero que nesse mundo que habitas permaneças feliz. Sempre.

Ella

sábado, 9 de dezembro de 2006

Inverno


O nosso tempo esgota-se, sinto-o. Não há nada que possa fazer para atrasar o relógio e gelar o tempo. Não quero perder-te. Não quando em tantas coisas ainda me és estranho. Guardo a tua mão nas minhas. Frágil. Frágil como nunca o foste. Frágil porque pela primeira vez e única na tua vida, não tens mão no destino. A vida já não é tua, e sempre foi. Sempre. Nada podes fazer. Nada podemos fazer. A não ser dar-te a mão e guardar-te.

Ella

Photo by Ella.

segunda-feira, 3 de julho de 2006

Café Central



Não me lembro de quando entrei lá pela primeira vez. Como sempre acontece com os sítios que nos acompanham desde a meninice, e neste caso desde a barriguinha da mamã. Mas desde sempre os unicórnios me fascinaram. E ainda fascinam. Antes a minha imaginação voava com eles enquanto raspáva com a colher os deliciosos pastéis de nata.
- Ouviste o que a mamã disse?
- Ãnh? Desculpa estáva a voar, mas já estou aqui outra vez.
Lembro-me dos desenhos nas manhãs de sábado enquanto a mamã ia à praça e o papá fumava um cigarro, lembro-me das torradinhas ao lanche quando os ia buscar ao trabalho, lembro-me dos sorrisos nas caras conhecidas de sempre, lembro-me das conversas cruzadas nas mesas, lembro-me das piscinas intermináveis na praça, lembro-me de um sem fim de pormenores agora que tento recordar!
Durante muito tempo esteve fechado e com destino incerto. Voltou a reabrir à pouco tempo com uma cara nova, mas fico contente por saber que apesar dos hábitos daqueles que lá se encontravam se tenham alterado com o tempo... continuam a procura-lo, talvez com saudades. E que os unicórnios esses continuam lá, a sobrevoar as mesas. Bons velhos hábitos!
Photo by Ella, Café Central (Painel dos unicórnios da autoria de Júlio Pomar).
Desenho da Praça, by Ella & Mystic à muito muito tempo atrás.
Ella

sexta-feira, 24 de março de 2006

Vamos fazer amigos entre os animais

Cada vez mais estudos demonstram que crianças que crescem na companhia de animais de estimação tem um risco reduzido de desenvolver as alergias mais comuns, menor propensão a apresentar problemas de hipersensibilidade e a ter canais de ventilação facilmente irritáveis - que se trata de um factor de risco para asma. Durante muito tempo pensou-se o contrário. Neste momento considera-se a hipotese de que as endotoxinas produzidas por bactérias dos animais forcem o sistema imunológico do organismo a desenvolver um padrão de resposta que é menos propenso a desencadear reações alérgicas.
Na minha casa, desde que comecei a crescer na barriguinha da mamã até hoje, sempre tivemos cães. Quando cheguei da maternidade a minha Ronda fez uma birra - afinal era como uma irmã mais velha. Mas não durou muito, apaixonamo-nos e desde aí tomou conta de mim, sempre. Dormia aos pés do meu berço, comia os caramelos que a avó me dava, fazia-me cócegas nos pés, deixava-me dormir em cima dela e ainda hoje afugenta os monstros que deambulam pelos meus pesadelos. Hoje é a minha Blackie que está a ficar velhota, a minha companheira e confidente, crescemos muito as duas. Mesmo que passem meses sem visitarmos o nosso esconderijo no parque, ela descobre sempre o caminho até ele. O ano passado chegou o Airbus, o papa-açorda que conquistou o meu coração e que gosta de me fazer sorrir. Quando era pequena todos os fins-de-semana ia para a quinta dos meus tios, e onde com os primos me emporcalhava entre cavalos, galinhas, ovelhas, cabras, patos, gatos e afins... Eramos muitos felizes e nenhum de nós tem ou teve alergias, ou mesmo asma. Gostei de crescer assim, mesmo que outros estudos provem o contrário, será certamente assim que vou querer educar os meus piolhinhos!
Ella
Photo superior by J.L.